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Lucros com crimes ambientais no mundo cresceram 26%

O Globo, Sociedade, p. 44
05 de Jun de 2016

Lucros com crimes ambientais no mundo cresceram 26%
Relatório mostra recordes que iriam até US$ 258 bilhões

Um relatório divulgado ontem, véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado hoje, mostra que os lucros gerados pelos crimes ambientais vêm crescendo e atingiram entre US$ 91 bilhões e US$ 258 bilhões em 2015 - cerca de 26% mais que as estimativas do ano anterior. De acordo os dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma), em parceria com a Interpol, os crimes ambientais superam em cem vezes a movimentação do comércio ilegal de pequenas armas, estimado em US$ 3 bilhões.
- O resultado não é só devastador para o meio ambiente e economias locais, mas também para todos que são ameaçados por estes empreendimentos criminosos. O mundo precisa se unir para adotar ações sólidas, em âmbito nacional e internacional, para eliminar a delinquência ambiental - afirmou Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma.
A última década registrou um aumento entre 5%e 7% ao ano deste tipo de delito, o que significa que o crime ecológico - que inclui tráfico de vida silvestre, exploração e venda de ouro e outros minerais obtidos de forma ilegal, pesca ilegal, contrabando de resíduos perigosos e fraude em créditos de carbono - vem crescendo duas a três vezes mais rapidamente que o PIB mundial. Algumas das espécies animais mais vulneráveis do mundo, como rinocerontes e elefantes, estão sendo assassinadas a um ritmo que cresceu em mais de 25% por ano na última década. Um dos casos emblemáticos é da população de elefantes - um quarto do total morreu em dez anos.
Forças de segurança mal pagas, redes criminosas internacionais e rebeldes armados se beneficiam de um comércio ilegal que alimenta conflitos no mundo, devasta ecossistemas e ameaça a extinção de várias espécies animais. É o quarto maior tipo de empreendimento criminoso do mundo, atrás do tráfico de drogas, falsificação e tráfico de pessoas. O dinheiro perdido com os delitos é 10 mil vezes maior que o investimento para combatê-lo - estimado entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões anuais.
O informe mostra ainda que organizações criminosas multinacionais estão utilizando o crime ambiental para lavar dinheiro das drogas. Na Colômbia, por exemplo, a mineração ilegal de ouro é considerada hoje uma das maneiras mais utilizadas para esta finalidade. O relatório recomenda uma forte ação nas legislações nacionais e internacionais, inclusive com medidas para combater paraísos fiscais, e incentivos econômicos e meios de vida alternativos para os que estão na parte inferior da cadeia de crimes - como os caçadores.

O Globo, 05/06/2016, Sociedade, p. 44

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