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Lodo contaminado de lago vaza para as ruas da Aclimação

OESP, Metrópole, p. C4
27 de Fev de 2009

Lodo contaminado de lago vaza para as ruas da Aclimação
Lama e peixes mortos vieram de bueiros; prefeito admite que sujeira pode até fazer mal

Marcela Spinosa e Mônica Cardoso

Pelo menos três ruas vizinhas do Parque da Aclimação, na região central de São Paulo, amanheceram ontem com lama e peixes mortos. A sujeira subiu pelos bueiros, por onde passa a galeria de água pluvial. A tubulação sai do vertedouro, que rompeu segunda-feira e sugou, em menos de uma hora, a água do lago. Sem a "tampa", a sujeira escoou pela estrutura, com a chuva de anteontem. Segundo a Prefeitura, o refluxo da água pelo bueiro pode ter sido causado pela própria galeria, que não suportaria o volume de água.

Os moradores receiam pegar algum tipo de doença se entrarem em contato com o lodo, uma vez que o lago recebeu esgoto até 2007, quando foram fechadas 42 ligações clandestinas. O prefeito Gilberto Kassab admitiu que o material está contaminado. Para o professor de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo, Paulo Ozon, é preciso evitar o contato. "As pessoas que entraram em contato com o lodo podem desenvolver leptospirose e salmonelose (doenças causadas por bactérias). Elas devem procurar o médico e fazer uso de antibióticos."

Os sintomas da leptospirose incluem febre alta, dor de cabeça forte, calafrio, dor muscular, vômito, olhos e pele amarelada, dor abdominal, diarreia e erupções na pele. Os sintomas mais comuns da salmonelose são diarreia, febre, cãibras estomacais, náusea, vômitos e dores de cabeça.

Apesar de estarem acostumados com enchentes, os moradores das Ruas Oscar Guanabarino, Maracaí e Albina Barbosa nunca imaginaram que veriam as vias com lodo. "Jorrava pelo bueiro. Parecia um poço de petróleo de tão escura que a água estava", afirmou a aposentada Neide Moraes Fera, de 63 anos. Ela disse que a chuva durou cerca de 20 minutos, mas foi suficiente para deixar marcas de quase 1 metro de altura nas paredes. E pelo menos 17 rachaduras abriram no asfalto da Albina Barbosa, por onde passa a tubulação.

OBRA

Para evitar que o lodo do lago da Aclimação caia no vertedouro, a empresa Épura, responsável pelo conserto da estrutura, cercou ontem com pedaços de madeira o buraco por onde a água do lago escoa. A reconstrução da parte danificada deve começar hoje. No interior da estrutura será colocado um tubo de concreto, que pesa 2.300 quilos.

Prefeitura identificou problemas na área em 2006

Vitor Sorano

Um relatório da Prefeitura de São Paulo divulgado em 2006 apontava a necessidade de cinco "intervenções" no Lago da Aclimação - que se esvaziou na segunda-feira. Dentre elas estava a promoção de "mecanismos de manutenção do volume de água". A Secretaria do Verde e Meio Ambiente não informou quando e como esses serviços foram realizados nem quanto foi gasto.

O Relatório Preliminar do Estado dos Lagos dos Parques Municipais de São Paulo - no qual constam as intervenções necessárias - foi elaborado pela atual gestão para subsidiar convênios com entidades públicas e privadas. O objetivo do prefeito Kassab (DEM) era passar a responsabilidade por cuidar dos lagos de parques públicos a terceiros. Nenhuma parceria, porém, foi fechada para o caso da Aclimação.

Além da manutenção do volume de água, o relatório ainda cita a necessidade de recomposição da flora à beira do lago. "Em áreas ao redor ocorre ausência da vegetação, provocando erosão", diz o documento. Também são previstos o diagnóstico da profundidade do lago e das características do lodo ao fundo.

As obras de melhoria no lago são feitas há cerca de um ano, segundo a Prefeitura. A primeira e a segunda etapas - que incluem a despoluição do Córrego Pedra Azul e a retomada da circulação de água - já foram concluídas. A terceira etapa, que entrará em fase de licitação, prevê a retirada do lodo e a construção de um novo vertedouro. Após a licitação, a obra deve ser concluída até o fim do ano. Dessa forma, a capacidade vai aumentar de 70 milhões para 110 milhões de litros.

OESP, 27/02/2009, Metrópole, p. C4

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