Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: SANDRO LIMA
25 de Jul de 2002
Documentos oficiais dos EUA mostram ajuda Marcos Antônio de Oliveira à empresa norte-americana que foi escolhida no projeto
Presidente defende brigadeiro do caso Sivam
A cerimônia de incorporação de três novas aeronaves ao Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), na Base Aérea de Anápolis, em Goiás, se transformou em um desagravo das Forças Armadas e do presidente Fernando Henrique Cardoso ao tenente-brigadeiro Marcos Antônio de Oliveira.
De acordo com documentos oficiais do governo norte-americano -publicados ontem e anteontem pela Folha-, Oliveira ajudou uma companhia dos EUA a ser escolhida fornecedora de equipamentos para o Sivam.
Os documentos, de 1994 e 1995, mostram que Oliveira recebeu dos EUA uma sugestão de carta a ser assinada pelo Brasil e concordou em fornecer dados do Sivam aos EUA. Ele nega as duas informações (leia quadro ao lado).
Oliveira, hoje chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, estava presente na entrega das aeronaves e foi defendido pelo presidente e pelo comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista.
"Vi de perto, nos momentos de grande dificuldade, quando se procurava embaralhar a compreensão de um processo limpo, através de intrigas, de infâmias, eu o vi sempre altivo, atento e respondendo com dignidade a todas as informações que eram veiculadas e que não correspondiam à realidade", disse FHC.
Segundo o presidente, os homens que trabalharam no Sivam o fizeram com amor à pátria e com honestidade. Ele citou como exemplo os brigadeiros Lélio Lobo e Mauro Gandra, que foi ministro da Aeronáutica em 1995 e pediu demissão devido aos escândalos do Sivam.
Baptista disse que os militares que trabalharam no Sivam, entre eles Oliveira e Gandra, foram "imolados" por um "cruel processo de acusação sem provas".
Segundo o brigadeiro, a Aeronáutica respondeu com honestidade às "difamações" veiculadas pela imprensa e às requisições de esclarecimentos por parte de parlamentares e órgãos de fiscalização de contas.
A Folha vem procurando Oliveira desde segunda. Anteontem, ele respondeu a quatro perguntas sobre o Sivam por meio da assessoria de imprensa da Aeronáutica. Ontem, a assessoria afirmou que Oliveira não tinha disponibilidade para responder à Folha.
O Sivam também foi objeto de sete auditorias do TCU (Tribunal de Contas da União) e foi investigado por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara, que foi concluída sem nenhum denunciado. O presidente do TCU, ministro Humberto Souto, disse anteontem que o órgão pode reabrir as investigações.
Credibilidade
FHC afirmou que o Brasil tem avançado no progresso tecnológico e no desenvolvimento, e que isso passa pela disciplina orçamentária que, segundo ele, às vezes impõe medidas duras e realistas, mas mostra que o país é capaz de ter disciplina em seus gastos e que por isso tem credibilidade.
Para ele, a incorporação das aeronaves ao Sivam é um exemplo do fortalecimento da presença do Estado. FHC disse ter a convicção de que os militares saberão superar as dificuldades. "Em um tema de tanta importância, sempre gostaríamos de poder fazer mais do que estamos fazendo. Mas o que estamos fazendo é muito."
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