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Lobão pede novo plano contra vazamentos

OESP, Vida, p. A29
25 de Nov de 2011

Lobão pede novo plano contra vazamentos
Ministro admite que medidas atuais são 'obsoletas' para exploração do pré-sal

KARLA MENDES / BRASÍLIA

Um dia depois de a Agência Nacional de Petróleo (ANP) suspender novas perfurações da companhia petrolífera norte-americana Chevron no País, em virtude do vazamento de óleo de seu poço no Campo de Frade, na Bacia de Campos, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que o Brasil precisa ter um plano de contingência contra vazamentos que atenda às necessidades futuras de exploração no País, sobretudo para o pré-sal.
"Temos de ter um plano de contingência que corresponda às nossas necessidades e funcione", disse Lobão. Segundo o ministro, foi instituída uma comissão interministerial - composta por técnicos do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério de Minas e Energia, entre outros - que começou a trabalhar esta semana para revisar os estudos para a elaboração de um plano de contingência para grandes vazamentos.
Esses estudos, segundo Lobão, vêm sendo desenvolvidos ao longo dos últimos dez anos e tornaram-se "obsoletos", daí a necessidade de revisão dos procedimentos. "Temos agora o pré-sal, coisa que não havia antes. Então, esse plano terá de estar ajustado às perspectivas que se abrem para o Brasil."
A decisão da ANP de suspender novas perfurações da Chevron no País, segundo o ministro, não afeta as atividades da empresa nos outros 11 poços que a companhia explora no Campo de Frade - que produz 73 mil barris diários.
A companhia também está proibida de participar da disputa por novos blocos exploratórios de óleo e gás até que resolva os problemas de segurança no poço que provocou o derramamento de petróleo. Diante do quadro atual do comércio de blocos exploratórios, essa proibição é inócua. O último leilão -a 10.ª rodada de licitações - de blocos exploratórios ocorreu em 2008.
Se não forem identificadas "as causas e os responsáveis pelo vazamento de petróleo" e restabelecidas "as condições de segurança na área", conforme informa o comunicado oficial da ANP, a Chevron, no futuro, poderá até perder a concessão do bloco, que voltaria para a ANP e poderia ser incluída em um leilão futuro.
Enquadrado. O presidente da Chevron para África e América Latina, Ali Moshiri, disse ontem que a mancha de óleo decorrente do vazamento já desapareceu. "Estamos de volta às operações normais", afirmou o executivo, depois de uma reunião com o ministro. "No momento, tem menos de um décimo de barril. Foi bem-sucedida a operação."
O Estado apurou que o encontro de Moshiri com Lobão não foi tão amigável assim. Segundo uma fonte, o executivo da Chevron iniciou o encontro com o ministro apresentando queixas contra a ANP que vão desde as acusações de que a companhia omitiu informações ao enviar imagens editadas do acidente à reclamação de que a empresa soube da suspensão da autorização do órgão regulador de novas perfurações pela imprensa, antes de ser notificada oficialmente.
"A manchete da CNN foi: Chevron não pode mais operar no Brasil. Uma empresa do nosso porte não pode ser tratada dessa forma", teria dito Moshiri ao ministro. Só depois que Lobão disse que o ministério não interferiria nas decisões da ANP e que Moshiri estava deixando de lado o problema principal, ou seja, o vazamento, é que o executivo da Chevron "baixou a bola", segundo a fonte. / COLABOROU SÉRGIO TORRES

'Informamos o que sabíamos', afirma a Chevron

O supervisor de Meio Ambiente da Chevron, Luiz Pimenta, classificou de "incidente" o vazamento no Campo de Frade e afirmou que as técnicas de segurança da empresa são aplicadas internacionalmente. Segundo ele, o envio de imagens editadas da região do acidente para a ANP ocorreu por dificuldades técnicas. Ele disse que não houve tentativa de ocultar fatos, mas reconheceu que houve "preservação" de informações. "Nos limitamos a informar o que sabíamos. Algumas respostas ainda vão levar um tempo."/ FELIPE WERNECK

OESP, 25/11/2011, Vida, p. A29

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