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Lobão ameaça anular leilões do Madeira se não sair acordo

OESP, Economia, p. B10
06 de Ago de 2008

Lobão ameaça anular leilões do Madeira se não sair acordo

Fabio Graner

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, colocou ontem mais pressão sobre as empresas Odebrecht e Suez, que ameaçam levar à Justiça a disputa em torno da construção das usinas hidrelétricas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau. Lobão disse que, se as empresas não chegarem a um acordo e um confronto judicial paralisar os projetos, o governo poderá anular os dois leilões, para preservar o interesse público.

Lobão ressalvou, no entanto, que o governo trabalha para promover um acordo entre os consórcios e tem fé num entendimento. "O que nós esperamos é a negociação e a solução pacífica entre as duas empresas. Com isso, quero dizer que o governo não tem interesse nenhum em quebrar contrato", afirmou, embora tenha chegado, em certo momento, a falar como se um acordo não pudesse ser concretizado.

Ao ameaçar anular as duas licitações, o ministro aumenta a pressão sobretudo sobre a Odebrecht, que tem dito que irá à Justiça para reverter o leilão de Jirau. A empresa alega que a redução do preço oferecida pelo Grupo Suez no leilão ocorreu com base no deslocamento do projeto da usina em 9,2 quilômetros , sem autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Diante da ameaça do concorrente, o Grupo Suez ameaçou retaliar e impugnar o leilão da usina de Santo Antônio, vendida pela Odebrecht. "Nesse caso, as duas estariam impedidas de serem construídas", afirmou Lobão.

O ministro observou que uma eventual decisão do governo de assumir as obras não significaria rompimento de contratos. Como o contrato da usina de Jirau ainda não foi assinado, não haveria rompimento. Mas Lobão não deixou claro se o governo teria uma base jurídica sólida para anular a licitação da Usina de Santo Antonio, cujo contrato já foi assinado.

ENERGIA NUCLEAR

Ontem o ministro Edison Lobão e o secretário-adjunto de Energia dos Estados Unidos, Jeffrey Kupfer, discutiram a cooperação entre os dois países na área de energia nuclear, entre uma outros temas da área energética. O Brasil tem maior relação com a Alemanha nessa área e agora pode estar abrindo um novo flanco de negócios. "Os Estados Unidos têm experiência vasta nisto, e nós podemos nos beneficiar dessa experiência", afirmou Lobão.

Jeffrey Kupfer, por sua vez, disse que os Estados Unidos vêem a energia nuclear como uma das principais matrizes energéticas e hoje trabalham no sentido de criar novos reatores, depois de anos em que essas construções ficaram paradas. Segundo ele, as conversas com o Brasil giram não só em torno das possibilidades de produção, mas também sobre o uso seguro da energia nuclear. Os dois também discutiram a cooperação nas áreas de biocombustíveis, petróleo e produção de usinas térmicas a carvão.

OESP, 06/08/2008, Economia, p. B10

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