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Lixo reciclável vai para aterro comum

OESP, Metrópole, p. C1
15 de Mai de 2010

Lixo reciclável vai para aterro comum
Cooperativas de catadores cadastradas pela Prefeitura estão saturadas e já não conseguem receber o material separado pela população

Ana Bizzotto e Bruno Paes Manso

Parte do lixo reciclável da capital paulista está indo para aterros sanitários comuns. O motivo é que as 16 cooperativas de catadores cadastradas pela Prefeitura para fazer a triagem de lixo estão saturadas e não conseguem receber o material separado pela população. Como resultado, nas últimas semanas, parte do lixo reciclável fica na rua e acaba sendo coletado pelos caminhões de lixo normais, indo parar nos aterros comuns.
O problema atinge cerca de 10% do volume do lixo reciclável coletado nas regiões sul e leste de São Paulo pelo consórcio Ecourbis. Isso significa que, mensalmente, 180 toneladas podem deixar de passar pelo processo de coleta seletiva, o que, em peso, corresponde a 362 milhões de garrafas PET. Parte desse lixo acaba sendo recolhido por caminhões comuns, como aconteceu nesta semana em ruas da Vila Mariana.
A Loga Ambiental, que atende as regiões norte e oeste da capital, também enfrenta problemas por causa da falta de espaço das cooperativas, mas ainda consegue retirar o lixo reciclável das calçadas. Depois que o lixo é recolhido, aguarda até que as centrais tenham espaço para receber o material.
Em março, uma decisão da 3.ª Vara da Fazenda Pública determinou que fossem instaladas centrais de triagem nas 31 subprefeituras até o fim deste ano. Atualmente, só existem 16 centrais na cidade, que funcionam a partir do trabalho de cooperativas de catadores cadastradas. O governo vai recorrer da decisão e diz que a meta definida pela Justiça será alcançada até 2012.
As empresas de lixo afirmam que a solução para a Prefeitura é ampliar os acordos com cooperativas ainda não cadastradas e usar o espaço delas para fazer a triagem do lixo. Atualmente, segundo o Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclável, há 94 grupos de catadores organizados na cidade, mas só 16 estão cadastrados.
A Prefeitura afirmou, por meio de nota, que o lixo reciclável coletado não vai para aterros comuns, mas para centrais de triagem. Também informou que a Limpurb busca áreas para construir galpões que ampliem os serviços das cooperativas.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100515/not_imp552151,0.php

Insistem em trazer material sabendo que estamos lotados

Com mil metros quadrados de área e 32 funcionários, a Cooperativa União, em Itaquera, é uma das centrais de triagem cadastradas na Prefeitura que está sobrecarregada. "Anteriormente, a gente recebia dois caminhões pequenos por dia, com material da zona leste. Há uns dez dias, as concessionárias avisaram que mandariam dois caminhões grandes da zona sul. Ficamos lotados em dois dias. Às vezes, eles insistem em trazer material sabendo que estamos lotados. E não conseguem despejar", diz Valdo dos Santos, secretário da central.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100515/not_imp552159,0.php

OESP, 15/05/2010, Metrópole, p. C1

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