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Autor: Angélica Feitosa
29 de Out de 2014
De longe, a trilha do Parque Ecológico do Cocó com entrada pela avenida Sebastião de Abreu parece bem preservada e tomada pelo verde. Mas é só chegar mais perto e percorrer os caminhos da floresta de mangue do rio Cocó para perceber que muitos frequentadores parecem não se preocupar com a permanência do manguezal. O lixo denuncia o descaso.
Escondida pelos cantos do caminho da trilha, a sujeira vai ficando mais concentrado à medida que o frequentador se aproxima dos dois campos de futebol, nas proximidades da entrada pela avenida Engenheiro Santana Junior. Latas de refrigerante e de cerveja, garrafas PET e de vidro, potes plásticos de sorvete até sacos plásticos pendurados em árvores são encontrados no local.
De nada adianta um quadro colocado pelo Governo do Estado informando o tempo de decomposição de cada material na natureza. "Tem gente que nem repara, nem se importa com a imundície. Às vezes, tem uma lata de lixo bem perto da pessoa, mas ela não tá nem vendo e joga a lata no chão", descreve o fotógrafo Breno Sampaio, 22. Há dois anos, ele escolhe um dia da semana para fotografar a mata do Cocó e diz perceber que a Cidade tem se preocupado mais com a preservação do parque.
Não é o que pensa um dos auxiliares de serviços gerais do parque, Pedro César Ferreira, 52. Ele conta que realiza a limpeza do Cocó no início da manhã. Por volta do meio-dia, já precisa limpar tudo de novo. "As pessoas não têm consciência. Eu to acabando de limpar, nem saí de perto ainda, e tem gente que ainda joga lixo no chão", lamenta e acrescenta que o principal problema é a falta de educação de frequentadores. "O que me deixa com mais raiva são as pessoas que vêm passear com o cachorro e não recolhem as fezes dele", cita.
A funcionária pública Estela Coelho, 53, defende que falta consciência ambiental. "O poder público sozinho não vai conseguir resolver. Tudo que eu jogo no planeta volta pra mim", ensina.
Conscientização
O gestor do Parque do Cocó, Luiz Gustavo Fagundes Bezerra, afirma que o órgão responsável pelo parque ecológico, o Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), realiza trabalho de conscientização permanente junto aos frequentadores. "Temos 12 monitores e oito vigilantes, que se revezam ao longo do dia. Temos, todas as semanas, palestras de informação sobre a importância da preservação do meio ambiente", informa.
A sujeira e a consequente contaminação do ecossistema "mostram a completa falta de atenção" do poder público com esse ambiente. A consideração é do professor Jeovah Meireles, do curso de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC). "O lançamento de resíduos que não são do sistema do manguezal provoca completo descontrole no bem-estar e na vida do ecossistema", explica o professor. O excesso de poluição, segundo Jeovah, faz com bichos se alimentem desse tipo de resíduo. "Além disso, a Área de Grande Interesse Ecológico das Dunas do Cocó está servindo de depósito de resto de materiais de construção", denuncia.
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