OESP, Metrópole, p. A14
07 de Out de 2013
Lixo de feira começa a virar adubo na capital
Prefeitura projeta tirar dos aterros 62 mil toneladas de resíduos orgânicos por ano
Fabio Leite - O Estado de S.Paulo
Numa jornada que começa pelos braços do gari Eduardo Silva, de 48 anos, o Hulk, os restos de frutas e verduras começam a virar adubo em São Paulo. Há dois meses, o lixo orgânico que ele recolhe na feira de São Mateus, na zona leste, deixou de viajar até o aterro sanitário na divisa com Guarulhos para ser compostado no próprio bairro.
Trata-se de um projeto piloto que a Prefeitura quer levar às 900 feiras semanais da capital, uma das metas da gestão Fernando Haddad (PT), para retirar cerca de 62 mil toneladas de lixo por ano dos aterros, onde o processo de decomposição dos resíduos provoca 20 vezes mais efeito estufa.
"Hoje, 53% do lixo coletado na cidade é orgânico e nós não fazemos nada para aproveitá-lo. Nas feiras, quase tudo que é descartado pode virar composto e dar vida ao solo em vez de ir para o aterro e produzir gás metano", disse a agrônoma Lúcia Salles França Pinto, coordenadora do projeto. A ideia é que em breve podas de árvores também sejam compostadas.
Segundo o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro, quatro centrais de compostagem serão criadas na cidade até 2016. Cada uma deve custar cerca de R$ 500 mil por mês, valor equivalente ao que a Prefeitura paga hoje para enterrar o lixo das feiras no aterro.
"Vamos construir um cardápio de soluções de coleta e tratamento de resíduos, ajudar pequenos produtores rurais com insumos, diminuir o lixo transportado e aumentar a vida útil dos aterros", disse Simão Pedro, que estima uma economia de 30% na limpeza das feiras.
Na rua. Na feira da Rua Ursa Menor, em São Mateus, o projeto tem contado com a ajuda dos feirantes, que já descartam os restos de frutas e verduras nas caixas ou caçambas que irão para a compostagem, reduzindo o lixo acumulado no chão. "Agora, se chover fica mais difícil de o lixo descer a rua e entupir os bueiros", contou Hulk, apelido do gari Eduardo, que trabalha há 19 anos na feira livre.
Dos oito garis que varrem cada feira, a Prefeitura pretende transformar dois em agentes ambientais. Serão eles que vão acompanhar a coleta das caçambas, o transporte até a central de compostagem e a montagem das leiras, onde resíduos orgânicos são misturados às serragens para virar composto.
No caso de São Mateus, o adubo é feito num terreno vizinho ao prédio da subprefeitura, que estava abandonado. Segundo Lúcia, o espaço comporta o lixo de até seis das 38 feiras de São Mateus. "Outras quatro subprefeituras já nos procuraram interessadas em fazer a compostagem. Com isso, os caminhões vão andar menos pela cidade", afirmou.
Composto vai abastecer hortas urbanas na cidade
Cerca de 40 agricultores da zona leste aguardam adubo da feira livre de São Mateus, que pode baratear seus produtos
Fabio Leite e Tiago Queiroz - O Estado de S.Paulo
O casal Terezinha, de 47 anos, e José Nildon de Matos, de 51, expressa os dois extremos da coleta de lixo. Enquanto o marido trabalha como coletor atirando os sacos pretos no caminhão compactador que leva todo tipo de resíduo para o aterro, ela aguarda ansiosa o adubo natural da feira de São Mateus para usar na sua horta de produtos sem agrotóxico.
"Hoje não tenho possibilidade de fazer compostagem suficiente na minha horta e por isso tenho de comprar o adubo de galinha, que não é o mais indicado", disse Terezinha, que há dois anos planta legumes, verduras e hortaliças num terreno cedido pela Eletropaulo em São Mateus e está entre os 40 agricultores urbanos interessados no composto da feira.
Segundo agrônomos da Prefeitura, a primeira leva de adubo deve ficar pronta dentro de um mês. Para Terezinha, o composto pode resultar numa economia de até R$ 150 por mês que ela gasta comprando o adubo de galinha e baratear seus produtos, que são entregues em creches e escolas municipais e vendidos na feira de orgânicos do Parque do Carmo, na zona leste da capital.
"Tudo o que a gente precisa é de bastante compostagem, por que não tem adubo igual. Meu marido está doido para a situação melhorar para vir trabalhar comigo", disse Terezinha, que antes vendia peças de cama, mesa e banho de porta em porta.
Por enquanto, Matos ajuda a mulher levando para casa frutas e legumes descartadas no lixo para plantar mudas e fazer composto caseiro.
OESP, 07/10/2013, Metrópole, p. A14
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