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Autor: Rita Comini
29 de Out de 2010
Lançamento de obra de José Afonso Botura Portocarrero leva muita gente ao Espaço Sebrae de Conhecimento
O arquiteto José Afonso Portocarrero autografa livro na noite de lançamento
Cuiabá, MT - O lançamento do livro Tecnologia indígena em Mato Grosso: habitação, do arquiteto e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), José Afonso Botura Portocarrero, reuniu um grande número de pessoas no Espaço Sebrae de Conhecimento, na noite de quinta-feira, 28/10, entre elas arquitetos, engenheiros, estudantes de arquitetura, antropólogos, sociólogos, artistas plásticos, escritores e pessoas da sociedade cuiabana.
Editado pela Entrelinhas Editora com apoio cultural do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Mato Grosso (Sebrae-MT) e Núcleo de Pesquisas Indígenas - Tecnoíndia, a obra, escrita a partir da pesquisa de doutorado do autor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), faz um resgate da arquitetura indígena ao apresentar o desenho de 10 casas indígenas povos Bakairi, Bororo, Irantxe, Kamayurá, Karajá/Javaé, Myky, Paresí, Yawalapiti, Umutina e Xavante.
O arquiteto, que é pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Tecnologias Indígenas - Tecnoíndia e chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFMT, diz que para fazer o livro viajou por 28 aldeias, refazendo o caminho de muitos viajantes e pesquisadores que entraram para a história como Langsdorf, Cândido Rondon, Levi Straus e tantos outros. "O livro e os projetos que faço carregam esse DNA e me orgulho muito disso".
A professora Drª Maria de Fátima Roberto Machado, do Departamento de Antropologia/Museu Rondon - UFMT e coordenadora do Núcleo Tecnoíndia, que acompanhou o arquiteto nas viagens e faz a apresentação do livro, ressalta que este é um trabalho pioneiro pela abrangência e pelas técnicas apresentadas. "Do ponto de vista acadêmico, (o livro) vai ocupar um lugar de destaque. É um trabalho de pesquisa da maior importância e representa o crescimento da UFMT e o diálogo entre a arquitetura e a sociologia. Serve de ponte entre o conhecimento tradicional com os povos indígenas".
O livro a apresenta também projetos do arquiteto, inspirados na arquitetura indígena, como o Memorial Rondon, cujas obras em Mimoso, no Pantanal, devem ser retomadas, e o recém inaugurado Espaço Sebrae de Conhecimento. Sobre o prédio, a professora Maria de Fátima destaca que é um lugar de grande simbologia porque respeita as diferenças sócio-culturais. "Com esse trabalho, o Sebrae nos convoca para uma nova vida em direção à sustentabilidade". Segundo ela, "é o conhecimento indígena entrando pela porta da frente e serve para que os poderes públicos possam se sensibilizar para dar uma presença maior à cultura indígena".
O superintendente do Sebrae/MT, José Guilherme Barbosa Ribeiro, ressalta que não podemos continuar "importando" tecnologia de construção do Sul e Sudeste, cujas características climáticas são completamente diferentes das nossas e ressalta a importância de observar, aprender e valorizar essa tecnologia milenar dos primeiros habitantes dessa terra". Segundo ele, a obra é o resultado do esforço de diversos profissionais de muitas áreas que se uniram para concretizar o projeto do arquiteto.
José Afonso destaca que o prédio do Espaço Sebrae de Conhecimento nasce com o uma iluminação de José Guilherme, a quem define como "o que vê longe", usando uma prática comum da cultura dos índios que incorporou. "Nós estamos em Cuiabá, 'lugar onde se pesca com flecha', na definição indígena e tivemos a oportunidade de construir um prédio baseado nas casas desses povos que ficaram esquecidas durante décadas".
O médico e escritor Ivens Cuiabano Scaf ressalta que "nós temos uma cegueira e um preconceito contra os índios e relembra que nas casas de cuiabanos antigos não se podia ter nenhum objeto indígena porque 'dava azar'. Da mesma maneira, os políticos temiam colocar um cocar indígena, o que representava eleição perdida". Amigo de infância de José Afonso, disse também que o arquiteto teve ligação com os índios desde os tempos em que estudava no colégio Salesiano em Campo Grande e essa ligação acabou levando às teses de mestrado e doutorado sobre a temática indígena, que agora resultaram no livro.
O livro é voltado especialmente a estudantes de arquitetura e muitos deles prestigiaram o lançamento. Manoel Gomes, de 20 anos, aluno do terceiro ano na UFMT, destacou que acompanha o trabalho do professor José Afonso e que "o livro é o resultado de um estudo profundo do tema. Traz conceitos da arquitetura indígena como conforto térmico e aerodinâmica, que podem ser utilizados em uma releitura e com materiais como concreto, vidro, metal, a exemplo do que foi feito nessa obra", disse referindo-se ao Espaço Sebrae de Conhecimento. Já Gabriel da Mota, 22 anos, também cursando o terceiro ano de arquitetura na UFMT, destaca que Cuiabá é carente de obras arquitetônicas que tragam a cultura em seu cerne e não é sempre que tem um professor lançando um livro para os estudantes.
O livro está sendo vendido na livraria Janina e custa R$ 40,00.
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