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Autor: Maria Emília Coelho
02 de Fev de 2011
Nos anos 80, o paleontólogo acreano Alceu Ranzi avistou da janela de um avião que fazia a rota Porto Velho-Rio Branco, uma misteriosa estrutura circular dupla às margens da BR-317. Mais de três décadas depois, seu filho, Tiago Juruá Ranzi, biólogo e bacharel em direito, lança o livro "Geoglifos do Acre e Proteção de Sítios Arqueológicos no Brasil", onde apresenta uma pesquisa de abordagem jurídica para a preservação da descoberta do seu pai como integrante da equipe do Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas da Bacia Amazônia (PRONAPABA).
Lançado em janeiro, o livro contribuiu com os estudos sobre os intrigantes geoglifos, vestígios arqueológicos representados por desenhos geométricos, zoomorfos ou antropomorfos de grandes dimensões e elaborados sobre o solo. Supostamente feitos por remotas populações indígenas, eles só podem ser observados do céu.
Os geoglifos são encontrados em várias partes do mundo, mas na Amazônia brasileira estão concentrados na sua parte ocidental, em uma vasta região que engloba o leste do Acre, o sul do Amazonas, o oeste de Rondônia e o norte da Bolívia. No estado acreano, ocorrem entre os rios Acre, Iquiri e Abunã, fronteira com o território boliviano. O município com maior incidência é Capixaba, com 49 sítios.
O autor fez uma pesquisa acerca da proteção jurídica desses sítios arqueológicos no Brasil, abordando a relação do Patrimônio Cultural com o Direito Ambiental. A obra é resultado da monografia de conclusão de curso de Tiago em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Foi apresentada em 2007, e atualizada em 2010.
Apesar do tema ser jurídico, a linguagem não é técnica, servindo como fonte de consulta para todos os interessados nas misteriosas figuras: "Mesmo com o rigor acadêmico que o estudo exigia, acabei escrevendo do meu jeito, de forma simples, evitando o "juridiquês" bastante comum em trabalhos da área", explica Tiago.
Apresentado pela promotora de Justiça e mestre em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais, Meri Cristina Amaral Gonçalves, com quem o autor trabalhou entre os anos de 2008 e 2009 na Promotoria Especializada de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual do Acre, o livro traz também fotos, mapas e informações sobre as descobertas de geoglifos no estado do Acre, e pesquisas científicas realizadas sobre o tema até os dias de hoje.
Nas considerações finais do livro, Tiago Juruá chama atenção para uma questão complicada na Amazônia: a proteção de patrimônios arqueológicos em terras privadas. Muitos dos sítios são encontrados em terrenos particulares, e seus donos "são responsáveis por eles até que o poder público decida como proceder em cada caso", explica o autor, que sugere a esses proprietários medidas de incentivo que poderão ser adotadas, como desconto ou isenção de impostos, ou projetos de turismo em parceria com o estado. Fazendeiros não podem fazer com estes geoglifos o mesmo que fazem, na maioria das vezes, com a floresta.
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