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Litoral norte paulista registra recorde de praias impróprias na década

OESP, Metrópole, p. C1
10 de Out de 2010

Litoral norte paulista registra recorde de praias impróprias na década
Levantamento feito pelo ''Estado'' a partir de boletins semanais da Cetesb mostra aumento de bandeiras vermelhas até em cartões-postais

Márcio Pinho

O litoral norte de São Paulo registrou em 2010 o maior número de praias impróprias para banho em dez anos. Nem as de apelo turístico, como Toque Toque Grande e Baleia, em São Sebastião, foram poupadas da bandeira vermelha. É o que mostra levantamento feito pelo Estado a partir dos boletins semanais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) desde 2001. Foram consideradas as 39 primeiras semanas do ano.
A piora das praias do litoral norte, consideradas as mais limpas do Estado, contrastou com uma melhora no litoral sul, onde a balneabilidade sempre foi mais problemática. Dos 83 pontos medidos em São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba, em geral um por praia, apenas 27 não receberam bandeiras vermelhas em 2010. A cor indica que a água está com quantidade de esgoto suficiente para fazer mal à saúde - ou, mais especificamente, de uma bactéria que indica presença de esgoto.
O número de praias sempre limpas foi menor do que no começo da década - em 2002, 65 pontos de medição foram aprovados. São Sebastião teve o pior desempenho e só 5 de 29 pontos não foram reprovados pela agência ambiental do Estado. Caraguatatuba e Ubatuba também tiveram os piores desempenhos da década. Se levado em consideração o total de bandeiras vermelhas, 2008 foi pior do que este ano, mas o número de praias atingidas foi menor.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), responsável pelo tratamento de esgoto, e a Cetesb, pelas questões ambientais, dizem que o maior número de praias com bandeira vermelha está associado a chuvas fortes e fenômenos pontuais, como, por exemplo, uma ressaca entre maio e junho. Nessa ocasião, uma das praias que ficaram impróprias foi a de Toque Toque Grande, que recebeu quatro bandeiras vermelhas. "Tomei um susto quando vi a bandeira porque é uma das praias mais bonitas e limpas do litoral", diz Edson Pavão, presidente da sociedade de moradores e dono de hotel em Toque Toque Grande. A Cetesb, porém, diz considerar a balneabilidade do litoral norte boa.
Este ano, contudo, foi o menos chuvoso dos últimos cinco anos, segundo medição pluviométrica feita entre janeiro e junho na Base Aérea de Santos, no Guarujá. A unidade é considerada referência para o litoral por institutos de meteorologia. A chuva é fator importante, pois leva sujeira a córregos que deságuam nas praias. A Sabesp afirma ainda que ocupações ao longo da Rio-Santos, com ligações de esgoto irregulares, podem ter contribuído para a piora.
A deficiência do sistema de esgoto é um problema. A região recebeu poucas ações do Programa Onda Limpa se comparado com o litoral sul, que recebeu nos últimos anos sete estações de tratamento. As do litoral norte estão com obras em andamento. A situação se reflete em números: Ilhabela, até o início de setembro tratava só 4% do esgoto.
Condomínios. Para Eduardo Hipólito do Rego, ambientalista e ex-secretário do Meio Ambiente de São Sebastião, os dados coletados pela reportagem só traduzem "a situação desesperadora" do sistema de esgoto do litoral norte. "Quase não há estações de tratamento. A geografia é também um complicador, pois as praias são separadas por serras. Bombas podem falhar."
Segundo ele, vários condomínios desrespeitam o meio ambiente. "Se há um curso de água passando ao lado, há prédios que já aproveitam para despejar o esgoto", diz o ambientalista.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101010/not_imp622994,0.php

Sabesp quer ampliar projeto que deu certo no litoral sul
Onda Limpa melhorou balneabilidade em cidades como Itanhaém, onde bandeiras vermelhas caíram pela metade

Márcio Pinho

Os resultados do Programa Onda Limpa no litoral sul, onde algumas praias ficavam com bandeira vermelha durante todo o ano, são o exemplo que a Sabesp pretende seguir no litoral norte do Estado. A meta do governo é que, até 2015, o litoral norte trate 85% de seu esgoto. Hoje, esse índice não passa de 50% na região.
De acordo com Umberto Semeghini, diretor de sistemas regionais da Sabesp, a melhoria foi sensível em Peruíbe, Itanhaém e Mongaguá. Na primeira cidade, por exemplo, o número de bandeiras vermelhas registradas nas primeiras 39 semanas de 2009 foi 58. É mais do que o dobro do resultado deste ano, quando as praias da cidade foram consideradas impróprias 18 vezes. Em Itanhaém, o número caiu de 102 no ano passado para 50 neste ano. Na vizinha Mongaguá também houve queda entre um ano e outro: de 79 para 63. O Onda Limpa prevê construção de emissários, estações elevatórias e ligações domiciliares de esgoto.
Segundo Semeghini, as sete estações de tratamento entregues no litoral sul nos últimos anos estão justamente na região entre Peruíbe e Praia Grande.
O diretor admite que o programa no litoral norte está defasado em relação ao litoral sul. Algumas poucas obras são tocadas no momento, como estações de tratamento de esgoto nas Praias de Paúba, Baleia, Saí, Barra do Una e Engenho. Semeghini diz ainda que é importante que a população também participe e peça a ligação do esgoto em suas residências caso isso ainda não tenha ocorrido.
Mais limpa. Quem frequenta as praias do litoral sul diz já ter percebido a melhora. É o caso do professor de surfe Pierre Musacchio, de 47 anos. Frequentador das Praias do Sonho e do Centro, em Itanhaém, onde dá aulas para crianças, ele afirma ter notado que a água parece menos suja após períodos de chuva. "Ela vinha completamente escura. Muita sujeira era trazida pelos córregos. Ainda não está 100% limpa, tem de melhorar mais. Mas, comparado ao que estava, foi um avanço", diz.
Pierre, que conheceu a água do mar de Itanhaém muito mais limpa do que estava nos últimos anos e viu a situação se agravar em razão do esgoto e do uso das praias de forma predatória pelos turistas, diz que até seu trabalho ficou mais fácil, já que nem ele nem seus alunos sofrem mais com irritações de pele.
Algumas praias da cidade não tiveram sequer uma bandeira vermelha até setembro, como Jardim Cibratel e Suarão. Além do Onda Limpa, o fato de ter chovido menos neste ano também ajuda a explicar a melhora.
Outras cidades do litoral sul, contudo, não tiveram o mesmo desempenho de Itanhaém, Peruíbe e Mongaguá. Praia Grande e São Vicente registraram mais praias reprovadas neste ano. Já o Guarujá, que geralmente tem praias limpas, pouco variou. A situação é complicada apenas na Praia do Perequê, que de janeiro a setembro só passou uma semana sem bandeira vermelha.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101010/not_imp623005,0.php

Itamambuca está entre as 27 que se mantiveram limpas

Entre as 27 praias sem registro de bandeira vermelha até setembro está a badalada Itamambuca, em Ubatuba. No município, Prumirim, Félix, Vermelha, Grande, Toninhas, Dura, Sapé e Maranduba também estão entre as limpas do litoral norte. Em Ilhabela, o melhor desempenho foi a do Saco da Capela. Em São Sebastião, Paúba, Santiago, Guaecá, Grande e um trecho de Boraceia. Já em Caraguatatuba foram aprovadas Mococa, Martim de Sá, Capricórnio, Maçaguaçu e um trecho de Tabatinga.

OESP, 10/10/2010, Metrópole, p. C1

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