O Globo, Ciência, p. 35
13 de Set de 2007
A lista vermelha da extinção
Pesquisa revela que 16 mil tipos de animais e plantas podem desaparecer
Mais de 16 mil espécies de animais e plantas podem desaparecer da face da Terra.
Eles fazem parte da edição de 2007 da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção, divulgada ontem pela União Internacional para a Conservação da Natureza IUCN, na sigla em inglês). Trata-se da maior mais respeitada pesquisa sobre os perigos enfrentados pela fauna e flora global, frente ameaças como o aquecimento global, a caça predatória, a poluição, o desmatamento e até mesmo o vírus Ebola. De acordo com os dados da ONG, a lista deste ano inclui 188 novas espécies em relação à lista publicada em 2006.
- Esses números representam apenas a ponta do iceberg, já que certamente existem mais espécies em perigo - declarou Craig Hilton-Taylor, um dos diretores da IUCN.
Foram pesquisadas 41.415 espécies de animais e plantas, das quais 16.306 foram consideradas ameaçadas de extinção. Entre os animais em perigo, encontram-se crocodilos indianos e gorilas africanos. Estes últimos estão sendo afetados pela caça e pela propagação do Ebola - estima-se que 5 mil tenham morrido. Os gorilas estão tendo também o seu habitat reduzido pelo desmatamento e pela especulação imobiliária.
- A lista de 2007 mostra que os esforços para proteger a biodiversidade do planeta não estão sendo suficientes - garantiu Julia Marton-Lefevre, da IUCN.
A triste novidade da lista de 2007 foi a inclusão dos corais entre as espécies ameaçadas. Foi a primeira vez que foram pesquisados. A preocupação dos cientistas é que os corais são considerados as árvores dos oceanos, já que servem como termômetros para a compreensão desse ecossistema.
A IUCN alerta que um entre três anfíbios, um entre quatro mamíferos e um entre oito pássaros estão ameaçados de extinção.
Dos países analisados, Brasil, Austrália, China e México concentram o maior número de espécies ameaçadas. Mesmo assim, dizem os representantes da ONG, ainda há esperanças para a maior parte dessas espécies, desde que o trabalho de conservação seja intensificado. Eles pedem também que mais atenção seja dada à questão da perda da biodiversidade, que tem sido esquecida frente às ameaças levantadas pelo aquecimento global.
A luta pela conservação
A lista de 2007 da IUCN não traz apenas más notícias. Ela mostra também alguns (poucos) exemplos de conservação bem sucedida. É o caso do periquito das Ilhas Maurício. Pelos padrões de avaliação da ONG, o animal era considerado criticamente ameaçado de extinção - ou seja, à beira do desaparecimento completo. Em 2007, ele saiu dessa posição, passando a ser considerado um animal em perigo, classificação dada àquelas espécies que se encontram ameaçadas de extinção.
Até 2007, estimava-se que apenas 50 desses periquitos podiam ser encontrados na natureza. Hoje, esse número saltou para mais de 300.
Para a ONG, a lição aprendida é que os esforços têm que ser mantidos constantemente. Eles citam o exemplo dos crocodilos na Índia, cuja população adulta passou de 180 para 430 nos últimos dez anos.
Depois, as autoridades locais pararam com as medidas de proteção a esses animais e o seu número voltou a cair.
O Globo, 13/09/2007, Ciência, p. 35
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