O Globo, Economia, p. 29
30 de Abr de 2010
Linha do BNDES para hidrelétrica ganha R$ 1 bi
Além de Odebrecht, fabricantes estrangeiros de turbinas negociam com consórcio de Belo Monte
Patrícia Duarte, Wagner Gomes e Flávia Barbosa
O aporte de R$ 80 bilhões, via Tesouro Nacional, para o BNDES fortalecer seus empréstimos, com juros subsidiados, inclui a ampliação em R$ 1 bilhão de uma linha para financiar a construção de hidrelétricas. O alvo é Belo Monte, cujo leilão foi realizado semana passada e foi precedido de um pacote de incentivos aos empreendedores.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem a distribuição dos montantes do BNDES. Foi criada uma nova linha, no valor de R$ 7 bilhões, para financiar exportações de bens de consumo duráveis, com juros de 8% ao ano, abaixo dos 11% usuais. Segundo o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, servirá para fortalecer o setor produtivo neste momento de competição mundial. A medida, disse, está dentro do arcabouço do pacote do governo para o setor exportador. O CMN aprovou ainda o aumento dos recursos para exportação de bens de capital, de R$ 8,6 bilhões para R$ 15,9 bilhões.
A linha para hidrelétricas foi de R$ 7 bilhões para R$ 8 bilhões. Os prazos são 360 meses, incluídos 108 de carência, e deverão ser usados pelos vencedores do leilão de Belo Monte.
O grupo Odebrecht, que na última hora desistiu do leilão, espera participar da construção da usina. O presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, confirmou ontem que mantém conversas com o consórcio vencedor, o Norte Energia, para tocar a obra. Odebrecht e Camargo Corrêa desistiram do negócio, alegando ausência de condições econômico-financeiras.
- A gente nunca para de conversar. O que pudermos contribuir para construir um projeto importante para o país, vamos fazer. Agora, quem vai definir o que precisa é o consórcio vencedor - disse Odebrecht.
O Norte Energia tem, além da Chesf (subsidiária da Eletrobrás), Queiroz Galvão, Gaia Energia e outras seis empresas.
Fornecedores de turbina para geração de eletricidade russos, franceses e chineses também negociam com o consórcio. E acenam como vantagem estratégica de sua adesão como investidores a possibilidade de instalação de fábricas de equipamentos no Brasil - num discurso que soa como música à União.
As fabricantes estrangeiras poderiam receber sua remuneração na sociedade em compra de equipamentos para a própria usina, de acordo com as negociações.
Especula-se que a Alstom seria a produtora francesa, a estatal Inter Rao Ues, a russa, e a DongFang, a chinesa.
O Globo, 30/04/2010, Economia, p. 29
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