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Líderes mundiais cobram adesão de Trump a acordo climático

O Globo, Sociedade, p. 23
16 de Nov de 2016

Líderes mundiais cobram adesão de Trump a acordo climático
Falta de recursos americanos prejudicará financiamento para nações pobres

RENATO GRANDELLE
renato.grandelle@oglobo.com.br

Autoridades mundiais dizem que os EUA têm obrigação de honrar Acordo de Paris. Mesmo distante do Marrocos, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, foi presença assídua no discurso de aproximadamente 80 autoridades mundiais que iniciaram ontem uma nova rodada de negociações na Conferência do Clima de Marrakesh (COP-22). Em uma tentativa de tranquilizar os líderes, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, revelou estar "otimista" com o comportamento do novo mandatário americano, que "entenderá o a urgência das mudanças climáticas".
Trump, que nega a existência do aquecimento global, ameaça retirar os EUA do Acordo de Paris, que visa limitar o aumento da temperatura mundial a até 2 graus Celsius. Outro ponto-chave do documento é estabelecer um fundo em que os países desenvolvidos depositarão US$ 100 bilhões por ano, a partir de 2020, para as nações em desenvolvimento criarem programas de adaptação às alterações do clima. Sem a contribuição financeira americana, a transferência de recursos pode ser reduzida consideravelmente.
- Estou certo de que (Trump) tomará uma decisão rápida e sábia - declarou Ban Ki-moon. - Espero que ele ouça e compreenda a gravidade de lidar com as mudanças climáticas.
'INÉRCIA DESASTROSA'
O secretário-geral da ONU definiu Trump como uma "pessoa de negócios muito bem sucedida", e que por isso entenderia que as forças do mercado já estão agindo para guiar a economia mundial para fontes de energia renováveis, dispensando combustíveis fósseis.
Outros arquitetos do Acordo de Paris alertaram que os EUA devem respeitar seus compromissos:
- Não é somente seu dever. É seu interesse - ressaltou o presidente francês François Hollande. - A inércia será desastrosa para o mundo e as gerações futuras.
- Enfrentar o desafio das mudanças climáticas é a nossa responsabilidade comum e compartilhada - cobrou o representante especial da China, Xie Zhenhua.
Embora reafirmem que os EUA cumprirão suas metas, ontem os negociadores americanos aparentavam desânimo. O país é um dos principais doadores para o fundo climático, que, este ano, deve arrecadar US$ 62 bilhões para as nações pobres.
- A dúvida é o que acontecerá caso os EUA abandonem o Acordo de Paris - avaliou Claudio Angelo, diretor de comunicação do Observatório do Clima. - Se isso ocorrer, o financiamento climático vai tombar muito, sendo que as verbas atuais já não são consideradas suficientes.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) pediu para os países ricos aumentarem suas contribuições. De acordo com a instituição, o custo para adaptação às mudanças climáticas poderia chegar a US$ 500 bilhões por ano até 2050.
Segundo Angelo, os negociadores devem se dedicar nos próximos dias a finalizar o "manual de operações" do Acordo de Paris. Algumas nações pleiteiam que, após o estabelecimento das regras, os compromissos anunciados por cada país sejam postos em prática já a partir de 2018 - o documento original institui que as metas devem ser cumpridas apenas a partir de 2020.

O Globo, 16/11/2016, Sociedade, p. 23

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