O Globo, Sociedade, p. 28
13 de Dez de 2014
Líderes globais divergem sobre metas para redução de poluentes
Países ricos não debatem financiamento à luta contra mudanças climáticas
Renato Grandelle
Em meio a pronunciamentos nos plenários e aos disse-me-disses dos bastidores, delegados de mais de 190 países tentavam chegar, na noite desta sexta-feira, a um consenso de última hora na Conferência do Clima de Lima (COP 20). O encontro já deveria ter sido encerrado. No entanto, os negociadores ainda se debruçam sobre um novo rascunho para um acordo global, que será assinado em 2015. O documento de sete páginas substituiu outro, analisado desde a semana passada, quase oito vezes maior.
A partir do novo rascunho, cada país terá de dizer, até o ano que vem, que medidas vai adotar para reduzir suas emissões de gases-estufa. Estes compromissos serão válidos até 2020, quando um novo acordo internacional - desta vez com poder de lei - estabelecerá metas mais rigorosas.
Nesta sexta, a cobrança entre os governos impediu a aprovação do rascunho, que encerraria com sucesso a COP 20. Os países desenvolvidos concordam em assumir políticas voltadas à mitigação - mas resistem a prover o financiamento e a transferência de tecnologia reivindicados pelas nações em desenvolvimento. E um grupo de países com a economia voltada para o petróleo, como Arábia Saudita e Venezuela, já dava a conferência por encerrada. Segundo um de seus representantes, seria melhor deixar o acordo sem rascunho do que com um documento fraco.
Para Alden Meyer, diretor de estratégia da Union of Concerned Scientists (em português, "União dos Cientistas Preocupados"), o rascunho, mesmo conciso, pode levar a deslizes.
- Há o bom, o mau e o feio - explicou a agências internacionais. Para ele, o "bom" seriam ações detalhadas; o "mau", decisões vagas. O "feio", nenhuma resolução.
FALTA DE REFERÊNCIAS
Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (Seeg), Tasso Azevedo considerou que, depois de 11 dias de conferência, o rascunho da eventual decisão final permanecia "muito solto", já que cada país poderia assumir a meta que quisesse.
- O texto não traz referências básicas para os países. Como vão saber o que ocorrerá, nos próximos anos, a partir de suas contribuições (para reduzir o CO2)? Ficamos sem referência para desenhar o acordo do ano que vem - criticou.
André Nahur, coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, elogiou o rascunho, mas avaliou que ele precisa ser mais objetivo e enxuto.
- Alguns parágrafos indicam até três caminhos - destacou. - Isso torna o acordo fraco e vago. Há muitos pontos positivos, mas alguns não foram analisados, e outros sequer foram apresentados até agora.
O bate-boca chegou até o Vaticano, onde o Papa Francisco pediu pressa aos líderes reunidos na conferência.
"O tempo para encontrar soluções está se esgotando", ponderou, em uma mensagem escrita ao ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar-Vidal, anfitrião da COP. "Uma luta eficaz contra o aquecimento global só será possível com uma resposta coletiva e responsável".
O Globo, 13/12/2014, Sociedade, p. 28
http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/lideres-globais-dive…
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