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Lideranças indígenas e Funai criticam medidas da Funasa para saúde no Vale do Javari

Radiobrás
Autor: Beth Begonha
27 de abr de 2007

O Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja), no Amazonas, e o coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) na região criticaram a efetividade da atuação da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para resolver a situação da crise de saúde dos índios. A última reunião das lideranças com a Funasa, durante as manifestações do Abril Indígena, em Brasília, geraram cobranças sobre as medidas acordadas no lançamento da campanha SOS Javari, em outubro do ano passado. Segundo as lideranças, as ações prometidas não têm sido executadas.

No Vale do Javari, que faz fronteira com o Peru e a Colômbia, vivem os povos Kulina, Kanamari, Mayuruna, Matís, Korubo e Marubo. A área possui o maior número de aldeias de índios não-contatados do país, ou seja, aqueles que vivem sem qualquer relação com a sociedade envolvente. Na região, há um problema grave de casos de hepatite e malária.

Tanto o coordenador da Frente de Proteção Ambiental da Funai na terra indígena, Antenor Vaz, quanto o Conselho Indígena do Vale do Javari contestam as informações do presidente da Funasa, Danilo Forte, ao programa Amazônia Brasileira, da Rádio Nacional da Amazônia, nesta semana. De acordo com a Civaja, a situação chega a ser de "genecídio silencioso". Para o representante da Funai, uma "calamidade pública".

Danilo Forte afirmou à rádio que a situação no Vale do Javari já apresenta "significativa melhora". Segundo ele, sete equipes estão trabalhando dentro da reserva indígena, um terço da população de 4 mil indígenas já foi testada para investigar hepatite, o número de mortes por malária caiu na região, além de que os atrasos nos repasses a conveniadas e pagamentos dos funcionários estão normalizados.

O presidente da Funasa reconhece que o índice de contaminação por hepatite é muito alto - um percentual próximo de 90% para o caso do vírus tipo A, 56% do tipo B, e 25% do tipo Delta, para uma amostra de 309 pessoas. Contudo, Forte afirma que desde outubro do ano passado, a Funasa tem tomado medidas no sentido de debelar o problema e que o Ministério da Saúde colocou a disposição as vacinas do tipo B para a população do Vale. Ele credita o atraso nas providências, a problemas ocorridos anteriormente com antigas ONGs conveniadas.

Desde 2001, vêm acontecendo sucessivos casos de morte em função dos vários tipos de vírus da hepatite. Até agora, menos de 700 pessoas foram testadas numa população de 4 mil, ou seja, algo em torno de um quinto. O representante da Funai Antenor Vaz critica as afirmações da Funasa e diz que todas as lideranças indígenas já disseram publicamente que não há equipes trabalhando nas aldeias neste momento.

Também segundo ele, os barcos equipados com consultórios e comunicação via satélite não estão à disposição das equipes de saúde. Antenor ainda ressalta que os óbitos aumentaram de 30 em 2005 para 39 em 2006. "As medidas desencadeadas pela Funasa não são suficientes para reverter o quadro", critica.

À época do lançamento da campanha SOS Javari, o conselho indígena elogiou a medida da Funsa. Porém, a entidade afirma que essa postura mudou diante da falta de eficácia das ações. "O Vale do Javari clama por socorro. Infelizmente, conforme o que já foi apresentado, a tendência é que esta situação persista numa constante, pois não existem esforços concretos, no âmbito da Funasa, com a finalidade de solucionar os problemas de saúde em nossas aldeias", registra em nota.

No lançamento da campanha SOS Javari, em outubro do ano passado, a Funasa anunciou a realizar o inquérito sorológico de toda a população (4 mil) da terra indígena até o mês de julho deste ano. Até agora, segundo informações da Coordenação Regional do Amazonas (Core) da Funasa, menos de 700 pessoas foram testadas. Ou seja, outras 3.300 teriam que ser testadas até julho.

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