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Lideranças indígenas cobram solução para Vale do Javari

Clipping da 6ªCCR do MPF.
17 de abr de 2007

Líderes indígenas que estão em Brasília para participar das atividades do "Abrilb Indígena" vão entregar a autoridades um documento com reivindicações dos grupos indígenas do Vale do Javari, no Amazonas, sobre a saúde na região. Segundo o coordenador geral do Conselho Indígena do Vale do Javari, Clóvis Rufino Reis, da etnia Marubo, serão realizadas audiências nos Ministérios da Saúde e da Educação, além da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai) e outros órgãos envolvidos com a saúde indígena.

Ele conta que um dos principais problemas é a falta de fiscalização do território, o que aumenta o número de invasores, como garimpeiros e madeireiros ilegais, que levam doenças aos índios como hepatite e malária. Segundo Reis, há poucos funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Funai para fazer a fiscalização do território, que tem 8,5 milhões de hectares e uma população de mais de 4 mil indígenas.

A Terra Indígena Vale do Javari fica no extremo ocidente do Amazonas. Reis argumenta que até o tratamento para a malária está causando conseqüências para os índios, como anemia nas crianças e problemas hepáticos, gastrite e úlcera nos adultos. "Estamos com medo que essa situação da entrada de garimpeiros, de madeireiros ilegais que estão trabalhando nas áreas indígenas leve esse tipo de doença que possa contaminar essas populações isoladas", afirma o coordenador. Ele diz que 80% da população indígena está doente e alerta que, se não houver uma solução, alguns desses povos podem ser extintos em poucas décadas.

De acordo com o documento que será entregue às autoridades, 56% dos pesquisados são portadores do vírus da Hepatite B, segundo inquérito sorológico realizado em dezembro de 2006 pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em parceria com o Hospital de Medicina Tropical do Amazonas entre 309 indígenas do Vale do Javari (quase 10% da população da área). Além disso, 85,1% dos pesquisados já tiveram contato com o vírus de hepatite. Os exames detectaram ainda quatro casos de hepatite C, doença decorrente de vírus anteriormente não registrado na região do Javari.

A falta de infra-estrutura para a educação é outra preocupação dos líderes indígenas. Na avaliação de Reis, faltam escolas, transporte, merenda e capacitação dos professores. Ele conta que muitas vezes os índios estudam no chão e pede providências das autoridades. "Se nem o estado nem o município querem se responsabilizar por isso, nós queremos que a educação no Vale do Javari seja federalizada", reclama. Ele diz também que a falta de programas governamentais no Javari está causando a migração de jovens índios para os centros urbanos.

Segundo o líder indígena Davi Yanomami, a Funasa não tem equipamentos nem profissionais suficientes para atender à população indígena. Ele também reclama da falta de remédios, que são adquiridos em Brasília e demoram a chegar nas tribos. O líder acredita que o problema é político e a solução depende de ações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ele é o chefe", argumenta o Yanomami. Os índios também reivindicam que os recursos orçamentários e financeiros destinados à região sejam administrados pelo Distrito Sanitário do Vale do Javari que, segundo eles, não tem autonomia de gestão.

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