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Liderança brasileira

O Globo, Ciência, p. 30
27 de set de 2011

Liderança brasileira
Coordenador da Rio+20 está otimista

Cesar Baima
cesar.baima@oglobo.com.br

Daqui a menos de um ano, em junho de 2012, o Rio de Janeiro estará novamente no centro das discussões mundiais sobre o meio ambiente, com a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Mas, se na Cúpula da Terra de 1992 as conversas foram em torno de uma política global, com muitas palavras e boas intenções, mas poucas medidas concretas, o encontro do ano que vem terá foco na ação, com o estabelecimento de metas práticas para o uso dos recursos do planeta, diz Brice Lalonde, coordenador executivo da ONU para a Rio+20.
- Os princípios já foram decididos e agora precisamos de ação, menos palavras e mais compromissos - afirma o diplomata francês, que está no Rio para participar do 4o Congresso Internacional sobre o Desenvolvimento Sustentável, entre hoje e quinta-feira no Píer Mauá. - Teremos metas de desenvolvimento sustentável que serão unidas aos objetivos do milênio. Para cada uma destas metas teremos um plano de ação e uma coalizão de esforços entre as partes.
Um dos caminhos, acredita Lalonde, é a instituição de algum tipo de remuneração pelos serviços ambientais prestados pelos países pobres e em desenvolvimento como forma a incentivar a preservação. Os recursos para isso poderiam vir, por exemplo, da instituição de uma taxa sobre as transações financeiras internacionais, ideia já lançada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também defendida pelo diplomata francês.
- Precisamos de um novo tipo de cálculo do Produto Interno Bruto que contabilize essa infraestrutura ecológica - diz. - Se esse capital natural não for protegido, todos vão pagar e um dia não teremos água para beber, peixes para comer ou ar para respirar.
Neste sentido, Lalonde aposta que o Brasil pode assumir uma posição de liderança no processo. Com bons sistemas de monitoramento e estatísticas sólidas, o país também já tem políticas internas em que "se paga para preservar", diz Lalonde.
- O Brasil estará no centro do mundo nos próximos dez anos, sediando eventos importantes - lembra. - Todos querem direção, liderança e melhoria da cooperação, e no século XXI serão países como o Brasil que estarão nesta posição.
O otimismo de Lalonde, porém, esbarra na dificuldade das negociações multilaterais características dos últimos encontros da ONU sobre ambiente, que exigem que os acordos sejam aceitos por todos ou não há acordo.
- Temos que melhorar as negociações e discutir quais serão as ferramentas para isso - defende o diplomata.

O Globo, 27/09/2011, Ciência, p. 30

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