OESP, Internacional, p. A16
31 de Jul de 2010
Líder máximo das Farc pede diálogo a governo colombiano que assume dia 7
Jogada estratégica. Acuado, Alfonso Cano defende em vídeo que conflito no país seja resolvido por meio de 'propostas políticas e diplomacia'; é a primeira vez em anos que a guerrilha fala em negociações com o governo de maneira tão direta
AFP e EFE
O líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Guillermo León Sáenz, conhecido como "Alfonso Cano", pediu o diálogo ao presidente eleito Juan Manuel Santos, que assumirá o poder no dia 7.
"O que estamos propondo de novo é que conversemos. Seguimos empenhados em buscar saídas políticas. Queremos que o governo reflita e não engane mais o país ", afirmou Cano, em um vídeo de 36 minutos gravado no dia 20 e difundido pela TV árabe Al-Jazira. "Há a possibilidade de que o país consiga resolver essa situação por meio de diálogo, conversas, propostas políticas e diplomacia."
Foi a primeira vez desde que o presidente Álvaro Uribe assumiu, em 2002, que as Farc pediram diálogo de forma tão direta. Cano não havia feito pronunciamentos em vídeo desde que assumiu a chefia do grupo, após a morte de Manuel Marulanda, em 2008.
Em campanha, Santos, havia descartado a possibilidade de diálogo com as Farc enquanto a guerrilha não abandonasse a prática do sequestro e do narcotráfico. Até a noite de ontem, ele não se havia pronunciado sobre a questão.
A mensagem de Cano é transmitida em um momento em que as Farc estão acuadas - nas últimas semanas, ataques do Exército causaram diversas baixas entre fileiras responsáveis pela segurança de Cano. Além disso, denúncias feitas pelo governo colombiano sobre a presença da guerrilha na Venezuela desataram uma crise diplomática entre Bogotá e Caracas.
Na gravação, dirigida "ao presidente eleito, à Colômbia e aos países da Unasul (União de Nações Sul-Americanas)", Cano aparece envelhecido, em um acampamento. Ele afirma que o governo engana o país quando diz que as Farc estão "no fim do fim" já que, só em maio, a guerrilha teria matado 304 policiais e ferido 800.
Cano qualifica o governo Uribe (que entregará o cargo no dia 7) como "corrupto, ilegítimo e infiltrado pelo narcotráfico" e diz que Santos - também um "representante da oligarquia" - tem "a tarefa" de recuperar a legitimidade do regime.
O conflito colombiano arrasta-se por mais de 40 anos e, ao longo desse período, as Farc negociaram a paz com Bogotá em duas ocasiões. Na primeira, nos anos 80, o governo de Belisario Betancur permitiu que a guerrilha formasse com outros grupos de esquerda um partido político, a União Patriótica (UP). Nos anos seguintes, a UP foi dizimada por paramilitares (mais de 3 mil políticos foram mortos) e seus remanescentes romperam com as Farc acusando a guerrilha de ter usado a plataforma política para arregimentar mais homens para a luta armada.
A segunda ocasião em que houve um diálogo de paz foi no governo de Andrés Pastrana (1998- 2002). Ele permitiu que as Farc controlassem uma área desmilitarizada em San Vicente del Caguán, criada para abrigar negociações de paz. Na época, a guerrilha se fortaleceu e ampliou o número de sequestros. Foram justamente essas experiências que deram apoio à proposta de rigor de Uribe contra a guerrilha.
O atual presidente deixa o cargo com 70% de aprovação por ter conseguido acuar a guerrilha - hoje as Farc têm 8 mil homens, e em 2002 tinham 18 mil. "Quando a cobra terrorista sente que é sufocada, pede diálogo para tomar oxigênio e voltar a envenenar", disse Uribe.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100731/not_imp588548,0.php
Post'' critica Brasil por falta de ação contra Chávez
AP
O jornal "Washington Post" criticou ontem, em editorial, a comunidade internacional por não agir contra a Venezuela, que estaria ajudando as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Se o problema ocorresse no Oriente Médio, já teria sido examinado pelo Conselho de Segurança da ONU", diz o texto.
"Outras democracias ocidentais apoiarão a Colômbia em sua luta contra essa flagrante violação do direito internacional?", questiona o "Post". "O governo Obama, que se caracteriza pela lentidão, considerou as provas colombianas "convincentes", mas se limitou a apoiar um processo transparente para investigá-las." O editorial faz também referência ao Brasil. "Sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil tem sido um dos maiores defensores e fiadores de Hugo Chávez. Se esse apoio fosse retirado, Chávez teria de repensar sua aliança terrorista."
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100731/not_imp588557,0.php
OESP, 31/07/2010, Internacional, p. A16
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