VOLTAR

Líder indígena critica Bolsonaro por propostas sobre mineração

https://noticias.uol.com.br
Autor: María Angélica Troncoso
19 de ago de 2019

Fortaleza (Ceará), 19 ago (EFE).- Um dos principais líderes indígenas do Brasil, Ailton Krenak criticou o presidente Jair Bolsonaro e o Governo Federal pela intenção de legalizar a atividade de mineração em terras ocupadas pelos povos indígenas.

Em entrevista à Agência Efe, Krenak apontou que os abusos que acontecem atualmente na Amazônia são provocados pelos discursos do presidente e dos ministros.

"Parece que enlouqueceram. É como se quisessem destruir a base natural do país", afirmou o ambientalista e escritor, que participa da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará.

A feira literária, que acontecerá até o próximo domingo, abre espaço para narrativas indígenas e de afrodescendentes e tem como tema central "As cidades e os livros". O evento acontece no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.

Além das críticas ao governo, Krenak opinou que a ideia de liberar a atuação de garimpeiros é apenas uma expressão de uma política global.

"Está acontecendo no mundo inteiro, é o que verbalizam as mentalidades mais descontroladas", disse.

No final de julho, Bolsonaro reforçou ter a intenção de regulamentar o garimpo no Brasil, incluindo em terras indígenas. Na ocasião, sem citar exemplos, o presidente alegou que alguns países e ONGs não querem que isso aconteça, porque querem os índios presos em "um zoológico", como um ser "pré-histórico".

Por sua vez, Krenak, que participou da elaboração da Constituinte, em 1988, considera que está contecendo "um assalto" às riquezas naturais brasileira.

Segundo dados coletados da Rede Amazônica de Informação Socioambiental (Raisg) e divulgados em dezembro de 2018, o Brasil conta com 321 pontos de mineração ilegal distribuídos em 132 áreas, a maioria concentrada nas margens do rio Tapajós.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por sua vez, apontou que houve um aumento em 278% do desmatamento entre julho de 2019 e o mesmo mês do ano passado.

Krenak, que foi criado na bacia do Rio Doce, em Minas Gerais, aproveitou o evento em Fortaleza para lembrar das tragédias em Brumadinho e Mariana, que tiveram saldo de 248 e 19 mortos, respectivamente, além de graves danos ambientais. Para o ativista, grandes corporações da mineração são culpadas por catástrofes como essas por "só visarem o lucro". EFE.

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2019/08/19/lider-indig…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.