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Leis regionais amenizam efeitos de medida de Trump sobre pacto climático

OESP, Internacional, p. A10
03 de Jun de 2017

Leis regionais amenizam efeitos de medida de Trump sobre pacto climático
Grupo de resistência, formado por Estados, municípios e corporações, promete ampliar esforços para reduzir emissões de gases e negocia a possibilidade de reportar seus avanços diretamente à ONU; Greenpeace crê que EUA conseguirão cumprir meta

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington , O Estado de S.Paulo

Com a decisão de Donald Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris, um movimento de resistência surgiu no país, envolvendo democratas, alguns republicanos e o mundo corporativo, confiantes na prevalência das leis regionais sobre as federais nessa área. Estados e municípios prometem ampliar seus esforços para reduzir emissões de gases poluentes e garantir o cumprimento das obrigações assumidas pelos americanos diante de 194 países.
Logo depois do discurso do presidente, na quinta-feira, os governadores da Califórnia, de Nova York e de Washington - todos democratas - anunciaram a criação de uma coalizão de Estados e municípios comprometidos com as metas do Acordo de Paris. Juntos, os três representam 24% do PIB dos EUA, 14% da população e 11% das emissões poluentes.
Prefeitos e corporações também manifestaram a intenção de perseguir as metas do pacto. Desafiando Trump, o grupo negocia a possibilidade de reportar seus avanços diretamente à ONU. "Os Estados e as cidades americanas são livres para perseguir as próprias ações com o objetivo de mitigar a mudança climática", disse o professor David Uhlmann, diretor do programa de Legislação Ambiental da Universidade de Michigan.
Segundo ele, grande parte dos avanços registrados foi obtida graças a regulamentos e leis aprovadas em âmbito estadual e municipal. "O Congresso não fez nada", ressaltou. "O presidente Barack Obama estava limitado no que podia fazer, porque os parlamentares se recusaram a agir. Seus parceiros principais eram os governos locais."
Ofensiva. A Califórnia lidera as ações de combate à mudança climática e tem os mais rigorosos limites e metas de redução de emissões dos EUA. No início da semana, o Senado estadual aprovou lei que determina o uso de 100% de fontes renováveis de energia por geradoras de eletricidade até o ano de 2045.
"Em grande medida, a política energética dos Estados Unidos não é controlada pelo governo federal, mas por Estados e municípios", observou Adam Beitman, do Sierra Club, maior organização ambiental do país.
Um dia depois de Trump dizer que foi eleito pelos "cidadãos de Pittsburgh" e não de Paris, o prefeito da cidade, Bill Peduto, assinou decreto que prevê o uso de fontes renováveis para 100% da eletricidade da administração pública até 2030. Apesar da declaração de Trump, 56% dos votos de Pittsburgh foram para Hillary Clinton.
Kelly Mitchel, diretora de Campanhas do Clima e de Energia do Greenpeace, acredita que os EUA conseguirão cumprir a meta de reduzir suas emissões em 26% a 28% até 2025, em relação ao patamar de 2005, apesar da decisão de Trump. O grupo ensinará técnicas de desobediência civil ao redor do país e lançará uma campanha contra bancos que financiam projetos ligados a combustíveis fósseis. "Isso não é popular entre clientes, não é bom para os negócios e é um investimento arriscado."
Ontem, o ex-prefeito de Nova York, o empresário e filantropo Michael Bloomberg, anunciou que levantará US$ 15 milhões para garantir a contribuição dos EUA ao organismo das Nações Unidas responsável pelo acompanhamento do pacto.
Embora a legislação regional seja capaz de mitigar os efeitos da decisão de Trump, não há consenso sobre a viabilidade do pacto sem os EUA. "Você não pode compensar a retirada do segundo maior emissor mundial de poluentes do acordo", disse Paul Bodnar, que conduziu as negociações financeiras dos EUA em Paris. "Se você está em um país muito pobre e sua prioridade é o alívio da pobreza, você vai precisar de um incentivo para se concentrar na construção de painéis solares, em vez de carvão", disse. / COM AP

OESP, 03/06/2017, Internacional, p. A10

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