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Lago da Aclimação terá água até sábado

OESP, Metrópole, p. C5
26 de Fev de 2009

Lago da Aclimação terá água até sábado
Espaço precisará de semanas para ser enchido; segundo os técnicos, a pressão da água rompeu vertedouro

Mônica Cardoso e Marcela Spinosa

O processo de enchimento do lago do Parque da Aclimação deve começar até sábado. Para isso, será necessário o conserto no vertedouro - sistema hidráulico que regula o nível do lago. Dois tubos de concreto serão içados por um guindaste e colocados na estrutura, cujo conjunto metálico foi rompido pela pressão da água, segundo o laudo preliminar dos técnicos que procuram as causas do acidente. O lago, que se esvaziou em menos de uma hora, precisará de algumas semanas para ser enchido, dependendo da quantidade de chuva e da vazão da fonte. A contratação de emergência da Épura Engenharia para apurar a causa do acidente e fazer o reparo custou inicialmente R$ 160 mil. Se o processo precisar ser adiado, o preço aumentará.

"A razão do acidente foi a forte chuva (que provocou aumento da pressão na água do Córrego Pedra Azul, que abastece o lago). Tivemos na região um índice pluviométrico de 50,4 milímetros, o que é algo inédito", afirmou o prefeito Gilberto Kassab em visita ao parque. "Esse acidente no vertedouro não tem relação com a falta de manutenção. Ela era rotineira e visual. Vocês podem ver que ele está em boas condições." Ontem, no entanto, o prefeito não soube dizer quando foi feita a última vistoria no equipamento, que, segundo ele, tem 40 anos.

As obras de melhoria no lago são feitas há cerca de um ano, segundo a Prefeitura. A primeira e a segunda etapas - que incluem a despoluição do Córrego Pedra Azul e a retomada da circulação de água - já foram concluídas. A terceira etapa, que entrará em fase de licitação, prevê a retirada do lodo e a construção de um novo vertedouro. Após a licitação, a obra deve ser concluída até o fim do ano.

Segundo o prefeito, o lago não precisará ser esvaziado novamente para a retirada do lodo, o que vai aumentar a capacidade de 70 milhões para 110 milhões de litros. Ele também negou que a construção do novo vertedouro esteja relacionada com a quebra do equipamento.

Para o secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, o acidente no lago foi um desastre ambiental. A secretaria não dispunha de uma estimativa do número de animais que vivia no lago. "Depois da recuperação completa, traremos as aves e faremos a reposição dos peixes'', diz. O parque, que ficou fechado ontem, reabrirá hoje, às 6 horas.

Em nota, o Ministério Público de São Paulo informou que há mais de 15 anos acompanha as condições de manutenção e poluição do lago. Um inquérito civil instaurado em 1993 é tocado pela Promotoria de Justiça e Meio Ambiente. O Ministério Público não divulgou a razão da abertura do inquérito. O promotor Marcos Lúcio Barreto informou que aguarda a conclusão do laudo encomendado pela Prefeitura para se manifestar.

Cisnes negros ''se mudam'' para Parque do Ibirapuera

Vitor Sorano

O casal de cisnes negros resgatado do lago da Aclimação deve ficar com a "família" enquanto seu "lar" não voltar a existir. As aves foram transferidas temporariamente para o Parque do Ibirapuera, na zona sul, onde há crias dessas aves. Também foram transferidas outras 34 aves e mais de 295 peixes que sobreviveram ao escoamento de água na Aclimação. Segundo a veterinária Adriana Marques Joppert, nenhum dos animais chegou ferido ao Ibirapuera.

O reencontro entre o casal de cisnes ocorreu ontem em um cercado no Viveiro Manequinho Lopes, no Ibirapuera. O macho já estava lá desde terça-feira. A fêmea chegou ontem pela manhã - só pôde ser resgatada quando diminuiu a movimentação em torno do lago da Aclimação, para que nada a espantasse. Cisnes são monogâmicos, segundo a veterinária Vilma Clarice Geraldi, diretora da Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre do parque. Só trocam de parceiros se um deles desaparece. No Ibirapuera, o casal, 4 patos, 3 marrecos e 21 gansos vindos da Aclimação têm à disposição um pequeno tanque artificial. Um pato e seus filhotes são mantidos em outro local, pois as grades do cercado não impediriam que fugissem.

A expectativa é de que todos os animais sejam soltos no parque até segunda-feira. Quando a lama da Aclimação se tornar novamente um lago, os peixes e aves poderão voltar para a moradia original.

Parques Cidade de Toronto e da Água Branca também já tiveram problemas nos lagos

Edison Veiga

Quando olha para o lago do Parque Cidade de Toronto, do qual é frequentador assíduo, o aposentado Benedito de Souza acha pequeno o acidente no Parque da Aclimação. "Aqui foi muito mais grave", afirma ele, que mora na região há 30 anos e acompanhou o surgimento do parque, inaugurado em 1992.

O Cidade de Toronto ocupa 110 mil m² no bairro de Pirituba, zona oeste da capital. Setenta por cento do terreno seria ocupado pelo lago, mas parte do espaço se transformou em um brejo, coberto por matagal. Ainda nos anos 90, o vertedouro que estabilizava o nível de água começou a se romper. Frequentadores notavam o nível da água baixando. Em 2003, dois anéis de concreto foram instalados e o nível da água subiu. Três anos depois, vândalos abriram fenda em uma comporta que represa a água. "Das 2 às 5 da tarde, a água levou embora tudo quanto era peixe", lembra Souza.

De acordo com Hélio Neves, chefe de gabinete da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o brejo formado em parte do lago será mantido. "Os animais, como preás e aves, se adaptaram ao espaço", justifica.

Entre 2002 e 2007, os dois tanques de carpas do Parque da Água Branca secaram. O motivo teria sido a construção de um edifício que teria afetado o lençol freático , conforme apurou o Ministério Público estadual, na época.

''Aqui é como se fosse o quintal de nossa casa''
Conselho gestor pretende fiscalizar as reformas da Prefeitura; parque será reaberto hoje

Mônica Cardoso

Os frequentadores do Parque da Aclimação, na zona central, foram surpreendidos ontem com os portões fechados. Todos os dias, grupos de ginástica, tai chi chuan e lian gong se reúnem nas dependências do parque. "Aqui é como se fosse o quintal de nossa casa. Houve falha da administração porque a manutenção deveria ser periódica. Agora, começam a falar que a culpa é da chuva", diz o funcionário público Antonio Carlos Barbosa, de 51 anos, que corre diariamente no parque. Segundo ele, até o fim do ano passado, o cheiro no lago era insuportável por causa das inúmeras ligações de esgoto clandestino.

O arquiteto Guilherme Morais, de 43 anos, passeia ali com o cachorro três vezes por semana. "Várias obras estão sendo realizadas no parque, mas se esquecem da poda de árvores e da limpeza do lago", diz. "A administração proíbe a entrada de ciclistas, mas não resolve os problemas realmente sérios."

O conselho gestor do parque pretende fiscalizar as obras no lago realizadas pela Prefeitura. "Vamos acompanhar para que sejam concluídas o mais rápido possível. Sem a água, pudemos ver a imensa sujeira que ficava submersa no lago, como pneus e garrafas plásticas", diz Orlando Tessaro, membro do conselho gestor. A Associação de Preservação do Cambuci e da Vila Teodoro pretende realizar um abraço coletivo em volta do lago no sábado, às 10 horas.

O lago é o coração do parque. Ele ocupa 30% da área oficial do parque, de 112 mil m². Inaugurado há 70 anos, o parque foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Ele foi a primeira área verde urbana tombada no País. O parque, que ficou fechado ontem para a retirada do cisne e a colocação de tela de proteção em volta do lago, será reaberto hoje.

OESP, 26/02/2009, Metrópole, p. C5

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