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Lá vem o Sol

O Globo, Opinião, p. 7
Autor: KELMAN, Rafael
08 de Nov de 2010

Lá vem o Sol

Rafael Kelman

A forte redução de custo dos equipamentos de geração solar fotovoltaica e a elevada tarifa de energia elétrica no Brasil são os ingredientes para que a energia solar fotovoltaica se torne economicamente competitiva quando comparada à nossa "conta de luz"? A resposta é o tema, antecipado no título.

A energia solar fotovoltaica está em franca expansão porque há um forte estímulo para a geração de energia renovável (solar, eólica, maremotriz, a biomassa etc.) em diversos países. Na Alemanha, por exemplo, a Lei de Energias Renováveis (2000) estabelece preços fixos (e bastante elevados) para ela e as distribuidoras de eletricidade são obrigadas a comprar esta energia através de contratos de 20 anos com um repasse uniforme dos custos às tarifas.

Na prática, os alemães estão subsidiando o avanço de tecnologias de geração de energia limpa. Melhor para nós, que nos beneficiaremos de custos decrescentes, maior número de fabricantes e placas fotovoltaicas mais eficientes. O Golden Sun Demonstration Project, da China, que incentiva esta tecnologia para uso doméstico com subsídios de até 70% dos custos com a energia solar fotovoltaica para eletrificação de áreas remotas, promete reforçar esta tendência.

A viabilidade econômica para o Brasil foi analisada com o pré-dimensionamento para uma instalação em prédio comercial no Rio de Janeiro, onde o uso é atraente porque a maior insolação coincide com a maior demanda de energia pelo uso de arcondicionado.

Admitiu-se que a energia solar fotovoltaica seria utilizada apenas para reduzir o consumo de energia fornecida pela Light ou Ampla, sem sobra de produção para injeção na rede elétrica.

O exercício mostrou que, mesmo com a redução de custos, a energia solar fotovoltaica ainda não é competitiva quando comparada às formas tradicionais de geração de energia, como as usinas hidrelétricas. Porém, já se mostra competitiva quando se considera que a "conta de luz" é composta não apenas pelo custo de gerar energia, mas também de transportá-la até o local de consumo, com acréscimo de impostos e de encargos estratosféricos. Na realidade, graças a uma exagerada carga tributária a incidir sobre o consumo de eletricidade, o Brasil já figura entre os países que pagam as mais altas contas de luz do planeta. E, como tudo que é ruim pode piorar, novos projetos de lei já estão sendo assados no forno do Congresso para beneficiar grupos localizados de consumidores, à custa de todos os demais.

Como a tendência é de queda de preços dos equipamentos fotovoltaicos e aumento na eficiência das placas, é possível que num futuro próximo ocorra uma onda de adesão à energia solar fotovoltaica.

Rafael Kelman é engenheiro.

O Globo, 08/11/2010, Opinião, p. 7

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