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Kyoto gera impasse em reunião do clima

OESP, Vida, p. A25
10 de Out de 2009

Kyoto gera impasse em reunião do clima
Reunião em Bangcoc terminou sem consenso sobre acordo para 2013

Afra Balazina

A reunião preparatória em Bangcoc para a conferência do clima de Copenhague (Dinamarca) terminou com avanços em questões burocráticas, mas sem compromissos dos países industrializados em pontos essenciais. Não há acordo ainda para as metas de redução de gases-estufa que serão adotadas a partir de 2013 e sobre quanto será o financiamento para os países em desenvolvimento poderem combater o aquecimento global.

"Estamos num momento difícil da negociação. Falta muito a ser feito, faltam entendimentos importantes", disse o negociador-chefe da delegação brasileira, Luiz Machado. Para Yvo de Boer, secretário-geral da Convenção do Clima da ONU, "é hora de deixar para trás o interesse próprio e fazer com que o interesse comum prevaleça."

Um dos grandes impasses é a tentativa de acabar com o Protocolo de Kyoto. Sua primeira fase termina em 2012, mas os países discutem sua segunda etapa, que começa em 2013. As negociações acontecem em dois trilhos. Um inclui os países que ratificaram Kyoto, como União Europeia, Canadá e o Japão. E o outro inclui os países em desenvolvimento e os Estados Unidos (que não ratificou Kyoto).

Mas os países industrializados agora propõem que Kyoto deixe de existir e a negociação passe a ter só um trilho. A ideia foi vista pelas nações em desenvolvimento como quebra de confiança. "Há um medo de que "matem" o Protocolo de Kyoto e não ainda não há outra proposta na mesa", disse Boer. "Temos de manter o Protocolo de Kyoto", reforçou o Machado. Ele acredita que, sem Kyoto, o acordo será menos ambicioso.

Ao se pronunciar ontem em plenário, o representante da União Europeia, Anders Tureson, voltou a dizer que o Protocolo de Kyoto não tem trazido as respostas necessárias. Aos jornalistas, ele disse que a intenção é trazer o protocolo para um novo acordo - ou seja, incluir suas regras, sua arquitetura. "Os países em desenvolvimento pensam que queremos enfraquecer o protocolo. É o oposto, queremos fortalecer o processo e criar um acordo mais abrangente."

Questionado se os EUA vão aceitar um acordo semelhante a Kyoto, mas com outro nome, respondeu: "Vamos ver". Mas os EUA não demonstraram grande interesse na proposta europeia.

Na opinião de Yvo de Boer, definir o conteúdo do acordo é mais importante do que sua forma legal. Ele acredita que, primeiro, é preciso se preocupar com as metas de redução de emissão de CO2 e financiamento.
A repórter viajou a convite da Convenção do Clima da ONU

Criticados, europeus recuam

Após receber críticas, até mesmo do Brasil, a União Europeia recuou ontem em sua posição a respeito de florestas e do financiamento para os países em desenvolvimento cortarem suas emissões.

No texto de negociação sobre redução de emissões por desmatamento, o chamado REDD, a Europa permitiu que fosse retirada uma frase que garantia a conservação de florestas nativas e evitava que a conversão de florestas em plantações (como de eucaliptos) pudesse contar créditos nesse instrumento.

O representante da delegação europeia, Artur Runge-Metzer, disse que houve um erro do negociador e que a posição será alterada na reunião preparatória de Barcelona, em novembro. "Somos a favor da manutenção das florestas nativas e de garantir que não haverá substituição de florestas por plantações por causa de REDD."

Ele nega que o Brasil vá ficar sem financiamento dos europeus para reduzir as emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera. A delegação brasileira ficou incomodada com um documento da Comissão Europeia que dizia que nem todos os países em desenvolvimento precisavam de recursos.

"Não dissemos que não iríamos dar dinheiro para o Brasil. Mas tentamos reconhecer o fato de que o País disse que faria também ações por conta própria. Não fizemos uma exclusão do Brasil", disse Runge-Metzer.

OESP, 10/10/2009, Vida, p. A25

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