CB, Mundo, p. 23
18 de Nov de 2006
Kyoto deve ser revisto em 2008
Conferência da ONU sobre o clima termina com acordo pela revisão do protocolo. Brasil exerceu papel ativo no encontro, travou proposta chinesa e aceitou discutir as metas contra o efeito estufa após 2012
Rodrigo Craveiro
Da equipe do Correio
Emoção, decepção e alívio. Os três sentimentos marcaram o encerramento da 12ªConferência das Partes sobre o Clima (COP-12), promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Nairóbi , capital do Quênia. Após 12 dias de debates,ministros e delegações de 180 países-168 deles signatários do Protocolo de Kyoto -decidiram ontem pela revisão do tratado, a ser realizada em 2008.O processo busca combater o efeito estufa, provocado pela emissão de gases poluentes na atmosfera.
A resolução adotada em sessão plenária obedece ao artigo 9 do documento. "Esta revisão será baseada nas melhores informações e avaliações científicas, sobre tudo o quarto relatório do Grupo Intergovernamental de especialistas em mudança climática, publicado a partir de fevereiro de 2007", afirma o texto da resolução assinada pelos representantes.
De acordo com Mauro Armelin, coordenador de políticas públicas da organização ambientalista WWF(Fundo Mundial para a Natureza), a adoção do artigo 9 representa um"grande passo" em direção a modificações no Protocolo de Kyoto. "Temos um caminho livre para começar as próximas fases de negociação, o que dará um pouco mais de segurança ao mercado de créditos de carbono", disse ao Correio, por telefone, de Nairóbi. "As empresas poderão investir para melhorar suas linhas de produção e reduzir as emissões", acrescentou. Ele acredita que a revisão do protocolo abrirá caminho para estudos complexos e a definição de objetivos específicos. "Com metas claras, ficará mais fácil para o investidor", explicou. Segundo o mecanismo, os maiores países poluidores podem comprar créditos não usados daqueles que têm direito amais emissões.
O final da conferência foi carregado de emoção. A Rússia relutava em aceitar algumas propostas e travou as discussões até as 6h de ontem, retomadas durante a fase final de debates. Moscou defendia a criação de um mecanismo para facilitar uma contribuição voluntária dos países que não têm metas fixas no Protocolo de Kyoto."Pelo bem das negociações, o Kremlin aceitou as proposições", revelou Armelin. Segundo ele, o Brasil teve um papel importante ao bloquear um pedido da China para queimar resíduos da produção de gases letais à atmosfera e transformá-los em créditos de carbono. "O Brasil deixou claro que isso seria imoral", comentou.
O país aceitou discutir metas para a redução do efeito estufa após 2012. E liderou 69 nações-coma China-para incluir a questão do desmatamento no acordo. Mais uma vez, os Estados Unidos foram o ponto negativo na COP-12 ao tentar frustrar as negociações.
Cobrança
O otimismo não contagiou o holandês Hans Verolme, diretor do Programa de Mudança Climática do WWF. Ele destacou que nenhuma ação concreta foi tomada."Foi um encontro difícil, marcado pela falta de ambição. Infelizmente, o progresso foi muito lento. É preciso nos envolvermos com mais intensidade nas negociações em 2007", sugeriu, ao cobrar mais empenho por compromissos pela redução do desmatamento. Na reunião de Nairóbi houve avanço também nas discussões sobre o Fundo de Adaptação, mecanismo financiado pelos países desenvolvidos para que nações pobres possam lidar com os efeitos das mudanças climáticas. Hoje, cada projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) paga 2% do seu valor para o fundo.
CB, 18/11/2006, Mundo, p. 23
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