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Kátia afirma que Agricultura será uma pasta 'do diálogo'

O Globo, Rio, p. 7
06 de Jan de 2015

Kátia afirma que Agricultura será uma pasta 'do diálogo'

Fernanda Krakovics

BRASÍLIA- Enfrentando forte resistência dos movimentos sociais, a ministra Kátia Abreu (Agricultura) afirmou, nesta segunda-feira, ao assumir o cargo, que seu ministério será pautado pelo diálogo. Na solenidade, no entanto, ela aproveitou para declarar "eterno amor" ao agronegócio.
- Esse ministério será o ministério do diálogo. Todos aqueles que quiserem produzir, não interessa o tamanho da terra, desde que tenha um palmo de chão, o ministério está pronto para apoiar em qualquer circunstância - afirmou Kátia, ao ser questionada sobre como vai lidar com os movimentos sociais.
Na contramão da política adotada no governo Lula, de promover a concentração do setor de carnes criando campeões nacionais como a JBS e Marfrig, a nova ministra pretende abrir o mercado nacional para novos frigoríficos.
- Não sei se é o oposto (do governo Lula). Precisamos dar oportunidade para que mais frigoríficos possam exportar, sem enfraquecer ou desmerecer nenhum deles. Temos um imenso mercado lá fora e nossas agroindústrias precisam estar preparadas, e totalmente liberadas, para exportar para esse grande mercado consumidor, seja de carnes, quer sejam outros produtos, como café, leite. A obrigação do Ministério da Agricultura é viabilizar, dar condições para que todas as empresas possam estar aptas para exportar.
Questionada sobre reforma agrária, a presidente licenciada da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) afirmou que essa questão não pertence a seu ministério, e sim ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.
- Quero declarar meu eterno amor a essa categoria que ajudou a formar meu caráter, meus princípios- discursou Kátia.
Apesar de sua nomeação ter desagradado seu partido, o PMDB, que a considera da cota pessoal da presidente Dilma Rousseff, Kátia agradeceu à sigla, em seu discurso, citando os nomes do vice-presidente Michel Temer e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Nenhum dos dois compareceu na solenidade.
Depois de usar na posse, na última quinta-feira, um vestido "verde alface" que chamou atenção, Kátia optou nesta segunda-feira por um vestido mais discreto, preto e branco. A posse foi na rua, em frente ao ministério. A assessoria de imprensa afirmou que o auditório não comportaria todos os convidados.
Em seu discurso, a nova ministra citou alguns "gargalos", como as dificuldades do setor sucroalcooleiros, a necessidade de ampliar a cobertura do seguro rural e de investir em infraestrutura, como em hidrovias e ferrovias. Ela listou ainda como um de seus desafios dobrar a classe média rural nos próximos quatro anos.
Depois de ter recebido o troféu "Motosserra de Ouro" do Greenpeace, em 2010, Kátia elogiou a condução do Ministério do Meio Ambiente pela ministra Izabella Teixeira, que estava presente. Segundo Kátia, ela "harmonizou" o Ministério do Meio Ambiente, embora não concordem em tudo.

O Globo, 06/01/2015, Rio, p. 7

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