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Justiça proíbe captação da 2ª cota do volume morto

OESP, Metrópole, p. E8
11 de Out de 2014

Justiça proíbe captação da 2ª cota do volume morto
Liberação de parcela da reserva depende de estudo que comprove sua necessidade; decisão determina revisão da retirada do Cantareira

Fabio Leite

A Justiça Federal proibiu a captação da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira, pretendida pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) para não decretar racionamento oficial. A justiça também determinou que a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) revejam as vazões de retirada do manancial pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
A decisão liminar concedida pelo juiz Miguel Florestano Neto, da 3.ª Vara Federal em Piracicaba, acolheu os pedidos feitos em uma ação movida no dia 2 pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal e tem como um dos objetivos assegurar que o consumo da primeira parcela da reserva profunda dos reservatórios dure ao menos até o dia 30 de novembro.
Em nota, a Sabesp informou que enviou ontem aos órgãos reguladores do manancial, ANA e DAEE, uma proposta para "reduzir imediatamente" a retirada de 19,7 mil litros por segundo, que é o limite máximo autorizado hoje, para 19 mil l/s e, a partir de novembro, para 18,5 mil l/s. Os dados mostram que na prática, contudo, a companhia já tem retirado em outubro 18,53 mil l/s, mas o nível do Cantareira continua caindo 0,2 ponto porcentual ao dia. Ontem, chegou a 5,1% da capacidade.

PCJ. O juiz determinou ainda que não haja nenhuma redução nas vazões liberadas do Cantareira para as cidades da Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). São 4 mil litros por segundo autorizados para a região de Campinas, onde 5,5 milhões de pessoas consomem água do manancial.
Projeções da própria Sabesp apontam que a primeira cota do volume morto do Sistema Cantareira deve se esgotar no dia 15 de novembro, o que pode obrigar os órgãos reguladores a determinar uma redução maior à Sabesp para não descumprirem a decisão judicial.
Na liminar, o magistrado vetou o uso da segunda cota da reserva profunda, de 106 bilhões de litros, mas possibilitou sua retirada "da forma mais parcimoniosa possível", mediante a apresentação de "estudos técnicos" que apontem para a impossibilidade de cumprir a decisão, conforme pedia os Ministérios Públicos Estadual e Federal na ação.
A Sabesp informou ontem em nota que "lamenta que o juiz não tenha dado à empresa ou à Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos a oportunidade de esclarecer as questões", mas destacou que, se a segunda cota do volume morto for autorizada pelos órgãos reguladores, a "medida será adotada apenas em caso de necessidade" e "com base em estudos técnicos".
Segundo o presidente da ANA, Vicente Andreu, a segunda reserva deve ser liberada em "parcelas". "A autorização por etapas é uma condição porque estamos usando a última possibilidade de recursos hídricos da região e, por isso, nossa posição não é a de permitir o uso a longo prazo, até abril", disse.
A Justiça determinou ainda que a ANA e o DAEE definam novos limites de retirada de água pela Sabesp para que o Cantareira chegue ao fim de abril de 2015, quando começa o próximo período de estiagem, com, no mínimo, 10% do volume útil original - hoje ele está negativo em 12% -, que fixem limites para impor restrição ou suspensão de utilização de água pelos usuários, ou seja, racionamento, e adotem as medidas necessárias para que o Cantareira seja recuperado no prazo máximo de cinco anos. No caso de descumprimento da decisão, a ANA, o DAEE e a Sabesp estarão sujeitos aos crimes de desobediência e prevaricação previstos no Código Penal.

Sabesp prevê possível alta nos casos de falta d'água
Plano enviado ao órgão regulador para operar o Cantareira até abril não atende a algumas determinações da Justiça

O plano da Sabesp para operar o Sistema Cantareira até abril de 2015 não atende às determinações da Justiça Federal e ainda prevê a "possibilidade de incremento" dos casos de falta d'água na Grande São Paulo. Após sucessivos adiamentos, a proposta foi enviada pela empresa ontem à ANA, com o objetivo de obter a autorização para usar a segunda cota do volume morto do manancial.
No documento, a Sabesp diz que reduzirá neste mês a retirada de água do Cantareira para 19 mil litros por segundo - hoje, tem autorização para captar até 19,7 mil litros por segundo -, e para 18,5 mil litros por segundo a partir de novembro. Na prática, contudo, a Sabesp já tem retirado na média dos dez primeiros dias de outubro, 18,53 mil litros por segundo das represas.
A companhia afirma que as simulações feitas apontam a "perspectiva de utilização" da segunda cota do volume morto, de 106bilhões de litros, mas admite que "o risco para a garantia plena do abastecimento, com as vazões propostas, é aumentada sobremaneira, com a possibilidade de incremento de ocorrências relacionadas à falta d'água" na região onde opera.
Mesmo com essas medidas apresentadas, a Sabesp afirma em seu plano que a data para que a primeira cota do volume morto, que começou a ser retirada no dia31 de maio, "chegue ao seu nível mínimo, é estimada em 15 de novembro". Ocorre que, em decisão liminar, a Justiça determina que os órgãos reguladores do Cantareira revejam o limite de retirada de água pela Sabesp para que a primeira cota não se esgote antes do dia 30 de novembro.
A Justiça determina ainda que a Sabesp adote em suas simulações as vazões afluentes ao Cantareira mais conservadoras para que o sistema chegue ao fim de abril de 2015 com, no mínimo, 10% do volume útil original. Na simulação mais conservadora em seu plano, igual à crise de 1953, mas que ainda é bem mais otimista do que o cenário atual, o sistema deve chegara 30 de abril do próximo ano com -5,1% da capacidade. /F.L

OESP, 11/10/2014, Metrópole, p. E8

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