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Junho de 2016 foi o mais quente já registrado

OESP, Metrópole, p. A15
20 de Jul de 2016

Junho de 2016 foi o mais quente já registrado
Temperaturas globais foram as mais quentes para o mês desde 1880; a exceção foi registrada na região meridional da América do Sul

Fábio de Castro,

Mapa mostra escala de variação das temperaturas médias em junho de 2016 (em azul e vermelho, respectivamente, áreas com temperaturas abaixo e acima da média histórica): América do Sul foi uma das únicas regiões onde os termômetros caíram
Mesmo com o frio acima do normal registrado em regiões do Sul e Sudeste do Brasil, em relação à temperatura global o mês passado bateu o recorde de junho de 2015 e se tornou o mais quente já registrado na história, de acordo com relatórios da agência espacial norte-americana (Nasa) e da agência de oceanos e atmosfera dos Estados Unidos (NOAA).
Com temperaturas acima das médias históricas em quase todos os continentes - com exceção da América do Sul - o mês de junho foi o mais quente desde o início dos registros da NOAA há 137 anos. Trata-se também do 14o mês consecutivo a quebrar os recordes de temperaturas mensais - a mais longa série de recordes ininterruptos desde 1880.
A única região continental do planeta onde as temperaturas em junho de 2016 foram mais baixas do que a média histórica, segundo a NOAA, foram as áreas central e sul da América do Sul.
De acordo com os cientistas da NOAA, junho de 2016 teve médias de temperaturas 0,9oC acima da média do século 20, ultrapassando em 0,02oC o recorde de junho de 2015, que havia sido o mais quente da história.
Segundo a NOAA, já há indicações de que 2016 poderá bater o recorde do ano passado, considerado o mais quente da história. Até agora, entre o início de 2016 e junho, a média de temperatura global foi 1,05oC maior que a média do século 20. Essa foi a temperatura global mais alta já registrada na história no primeiro semestre de um ano, ultrapassando em 0,2oC o recorde anterior, de 2015.
Frio no Brasil. O frio registrado no Sul e Sudeste do Brasil no mês passado não contradiz os recordes de calor no planeta, segundo a meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo. "É preciso entender que esses recordes se referem às médias globais de temperatura, mas não significam que o mês tenha sido mais quente em todos os pontos do planeta. No Brasil, se tivemos frio no Sul e partes do Sudeste, tivemos calor intenso mais ao norte", disse Josélia ao Estado.
"Além disso, o Hemisfério Norte, onde é verão em junho, contribui muito mais para as médias globais, por ter mais áreas continentais - enquanto no Sul temos mais áreas oceânicas -, mais população e mais industrialização", explicou.
Segundo a meteorologista, em meados de junho fortes ondas de frio atingiram a América do Sul, derrubando as temperaturas especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. "Com isso, todas as capitais do Sul, além de São Paulo e Campo Grande, acabaram o mês de junho com temperaturas muito abaixo da média histórica", afirmou.
Mas as áreas do centro e do norte do Brasil, que não foram atingidas pelas ondas de frio, acompanharam o aumento global das temperaturas, segundo Josélia. "Em Palmas, no Tocantins, tivemos um recorde histórico de calor no dia 1o de junho, com 39,9oC".
Segundo ela, foi a temperatura mais alta para o mês desde 1993, quando o Instituto Nacional de Meteorologia começou a fazer medições em Palmas. "Em Brasília, que tem temperaturas médias de 25oC em junho, o mês acabou com uma média 2oC acima", afirmou.

OESP, 20/07/2016, Metrópole, p. A15

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