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Jorge Viana promove debate nacional no Senado sobre Ferrovia Transcontinental

Expresso Amazônia - http://expressoamazonia.com.br
07 de jul de 2016

Jorge Viana promove debate nacional no Senado sobre Ferrovia Transcontinental

Por Mariama Morena (*) -

As Comissões de Serviços de Infraestrutura (CI), de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal se reuniram no Senado Federal para debaterem a construção da Ferrovia Transcontinental, também chamada de Bioceânica ou Transoceânica, projetada para ligar os litorais brasileiro e peruano.

O objetivo da ferrovia é ampliar o comércio do Brasil e do Peru com o mercado asiático, por meio do Oceano Pacífico. Um dos autores do pedido da audiência pública, o senador Jorge Viana (PT-AC) destacou que o empreendimento pode mudar a geografia do continente e abrir novas oportunidades para o país, incluindo o Estado do Acre, por onde a ferrovia também deverá passar.

Representantes do Ministério do Planejamento, do Itamaraty, do Ministério dos Transportes, do governo chinês e das embaixadas chinesa e peruana estiveram presentes no debate, além de senadores dos principais estados por onde a ferrovia deve passar. Também participou do encontro o deputado federal acreano Léo de Brito (PT-AC). Durante a audiência, foi divulgado pela primeira vez o estudo preliminar de viabilidade das obras da ferrovia.

Uma das apresentações foi feita pelo representante da empresa China Railway Eryuan Engineering Group (Creec), que falou sobre três possibilidades de traçado para a ferrovia: uma chamada Eixo Norte, que atravessaria todo o estado do Acre até o Peru; o Eixo Central iria até o município de Feijó; e o Eixo Sul faria o percurso da BR-364, saindo do Acre por Assis Brasil. A ferrovia abriria uma nova rota de escoamento da produção brasileira passando pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, atravessando o Peru até chegar ao mercado asiático, por meio do Oceano Pacífico.

Atualmente, os produtos exportados para o mercado asiático são escoados somente via Canal do Panamá. A proposta da ferrovia compreende 5,3 mil quilômetros de extensão, dos quais 2,9 mil passam dentro do Brasil. Os investimentos podem chegar aos UU$ 10 bilhões, sendo que a maior parte dos recursos viriam do governo chinês, numa parceria com os governos do Brasil e do Peru.

O investimento do governo chinês no Brasil se justifica, segundo Jorge Viana, porque aquele país será um grande beneficiário do projeto. "O governo chinês conseguiu implementar no país o mais importante, mais amplo e maior programa de ferrovias do mundo. Nunca um país construiu tantas ferrovias em tão pouco tempo como a China. E é esse governo que tem interesse de fazer a ferrovia, para não ficar na dependência do Canal do Panamá, que direta ou indiretamente tem a influência dos Estados Unidos", explicou.

O deputado Léo de Brito (PT-AC) disse que está associado a esse grande movimento em prol da construção da ferrovia. "O estudo trazido aqui traz uma boa notícia, porque até recentemente havia alternativas em que o traçado não passava pelo Acre. Muitos dos parlamentares se apresentaram céticos em relação ao projeto, mas é possível sim fazer obras na Amazônia de maneira correta do ponto de vista da viabilidade ambiental e social".

O vice-presidente do Senado, Jorge Viana, fez questão de destacar que esta é uma obra de médio e longo prazos, que precisa do envolvimento de todos para ser concretizada. "Temos que trabalhar nos momentos de dificuldades, transformar as crises em oportunidades. Essa ferrovia corta a Amazônia com uma infraestrutura que causa muito menor dano ambiental do que a rodoviária. Com isso, nós podemos ter uma infraestrutura adequada para aquilo que eu acredito ser uma exploração sustentável", disse o parlamentar, destacando ainda a participação e envolvimento dos governos de Rondônia, Mato Grosso e do governador Tião Viana, no Acre, para o trabalho de viabilidade desta obra.

Breve histórico da Ferrovia

- JUNHO DE 2014: Presidente da China, Xi Jinping, visita o Brasil e assina acordo para formação de consórcios para disputa de leilões de concessões de trechos de ferrovias.

- NOVEMBRO DE 2014: Assinado Memorando de Entendimento sobre criação do Grupo de Trabalho Trilateral para a Ferrovia Transcontinental Brasil-Peru.

- MARÇO DE 2015: Assinado Memorando de Entendimento para Estudos Básicos Conjuntos sobre a viabilidade da Ferrovia Transcontinental Brasil-Peru.

- MAIO DE 2015: Primeiro-Ministro da China, Li Keqiang, visita o Brasil e assina com a presidente Dilma Rousseff 35 convênios de negócios, entre eles a cooperação entre o Ministério dos Transportes e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDC) para o início de estudos de viabilidade para a construção da Ferrovia Transoceânica.

- AGOSTO DE 2015: Constituição da Frente Parlamentar Mista Brasil-Peru-China Pró-Ferrovia Bioceânica, com a assinatura de 205 parlamentares (201 deputados e 4 senadores).

- JUNHO DE 2016 - Senado brasileiro faz audiência pública tendo a construção da ferrovia como tema de debate.

(*) Colaboradora

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