CB, Brasil, p.11
22 de Ago de 2006
Jogos "olímpicos" fora dos padrões
Carmen Souza
Da equipe do Correio
Iano Andrade/CB
Conceição do Araguaia (PA) - Tradição não se deixa em casa. Acostumados a banhar-se no Ituí , rio que faz a fronteira entre o Amazonas e o Peru, os índios matis dão um banho de cultura nas águas do Araguaia. Saem ainda de madrugada das malocas montadas para a terceira edição dos Jogos Olímpicos Indígenas e fazem o asseio do dia. Corpo pintado, colares e os tradicionais espinhos de porco espinho fincados no rosto antes mesmo do sol nascer.
E a beleza se repete dura nte todo dia na arena olímpica. As mulheres caiapós pintam os corpos dos visitantes com tinta feita do jabuti. As arauetés exibem as saias feitas de algodão. Os gaviões, entre um treino e outro, exibem colares e cocares azuis e vermelhos, cores tradicionais da etnia. Nas competições, mais dose de brasilidade. As disputas começam com as modalidades tradicionais: arremesso de lança, arco e flecha, lutas corporais.
O perfil dos adversários também é de causar estranheza ao homem branco. Ca ciques contra adolescentes, mulheres versus homens, e até índios da mesma etnia. É o caso dos xerentes. A corrida de tora é feita por eles. Os índios dividem-se em equipes que correm em volta da arena olímpica revesando uma tora com mais de 70kg. "Fora daqui, carregamos a tora de uma aldeia até outra", conta Gilberto Srógdé, um dos índios participantes da disputa.
Os vencedores das modalidades serão descobertos hoje à tarde. Não há premiações. É só a vontade de convencer os visitantes que, no meio do mato, vivem uma das vertentes mais ricas da cultura tipiniquim. Afinal, em Conceição do Araguaia, ritos, costumes, artesanatos, não ficaram nas ocas. "Viajamos horas e horas para mostrar para as pessoas como é o nosso dia-a-dia. Nunca pensei, na minha vida, que seria aplaudido por alguém", relata Gilberto, um guerreiro xerente de 20 anos.
Os repórteres viajaram a convite da Secretaria Executiva de Esporte e Cultura do Pará
CB, 22/08/2006, Brasil, p.11
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