Valor Econômico, Empresas, p. B2
17 de Jan de 2014
Jirau pode ser multada por causar morte de peixes
André Borges
De Brasília
O consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), dono da hidrelétrica de Jirau, em construção no Rio Madeira (RO), poderá ser multado pelo Ibama por ter causado a morte de mais de 1,2 tonelada de peixes no fim do ano passado. A recomendação para que seja aplicada uma sanção contra o consórcio foi feita nesta semana por analistas ambientais do instituto que avaliaram o caso. Ainda não há detalhes sobre valores ou mesmo que tipo de multa seria aplicada. A recomendação técnica será avaliada pela diretoria do instituto ambiental.
Em dezembro, o consórcio ESBR enviou um relatório ao Ibama, com detalhes sobre a manutenção realizada em uma das primeiras turbinas acionadas pela hidrelétrica, operação que causou a morte de 1.224 quilos de peixes. No documento encaminhado ao órgão ambiental, o consórcio informa que "em função de causas ainda desconhecidas", no momento da abertura da escotilha de acesso à turbina, foi verificado que os peixes que ficaram confinados na estrutura estavam mortos.
"Com base nas informações prestadas pelo empreendedor, concluí-se que os peixes foram vítimas de morte por asfixia, em razão de ausência de fluxo de água no interior do tubo de sucção", afirma a nota técnica do Ibama, acrescentando que a metodologia de trabalho utilizada pela ESBR "não se mostrou eficiente" para resgate de peixes vivos.
Não é a primeira vez que peixes morrem nas turbinas de Jirau. Uma primeira ocorrência foi registrada em setembro do ano passado, quando 250 quilos de peixes morreram na mesma unidade geradora de energia. "Naquela ocasião, o empreendedor informou que estariam sendo 'revistos os procedimentos de manobra das comportas das UGs [unidades geradoras] e analisados os projetos das estruturas das mesmas, para evitar ocorrência destes incidentes'", informa a nota técnica. O documento do Ibama recomenda que, em 30 dias, o consórcio encaminhe relatório com avaliação da eficiência do "Plano de Trabalho de Resgate nas Unidades Geradoras".
Segundo o presidente do consórcio ESBR, Victor Paranhos, trata-se de um episódio que não vai se repetir. "Foi um incidente, um problema pontual. Isso já está solucionado", disse.
Atualmente, a hidrelétrica de Jirau, em construção em Porto Velho, conta com quatro turbinas em funcionamento, de um total de 50 turbinas que compõem o empreendimento. Pelo contrato firmado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a usina devia ter encerrado o ano passado com 21 máquinas em operação. O consórcio Energia Sustentável do Brasil é formada pelas empresas GDF Suez (60%), Eletrosul (20%) e Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - Chesf (20%).
Valor Econômico, 17/01/2014, Empresas, p. B2
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