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Jirau acusa diretor da Aneel de tomar decisão 'sem lógica'

Valor Econômico, Empresas, p. B11
23 de Mai de 2013

Jirau acusa diretor da Aneel de tomar decisão 'sem lógica'

Por André Borges
De Brasília

O Consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), dono da hidrelétrica de Jirau, desferiu uma série de ataques diretos contra o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, por conta de seu posicionamento sobre a mudança de cota de água que será utilizada entre as barragens de Jirau e de sua vizinha no rio Madeira, a hidrelétrica de Santo Antônio, em construção em Porto Velho (RO).
Em entrevista ao Valor, o presidente do consórcio ESBR, Victor Paranhos, disse que o posicionamento de Pepitone sobre o tema é "uma aberração" e que, se Jirau não tiver seu pleito atendido, vai à Justiça contra o consórcio Santo Antônio Energia. A reação é resultado de um encontro realizado entre os executivos dos dois consórcios e a diretoria da Aneel, na terça-feira.
"Vi um dos piores votos da Aneel, sem nenhuma lógica ou embasamento técnico, apresentado pelo diretor André Pepitone. O voto do Pepitone repete clichês do consórcio Santo Antônio. Ele coloca distorções no processo. É uma aberração", afirmou Paranhos.
O que está em jogo é a geração extra de energia - portanto, de receita - que o rio Madeira pode entregar para os consórcios. A altura do espelho d'água (cota) inicialmente estabelecida entre os dois eixos das usinas era de 70 metros. Depois, mudou para 70,5 metros. Agora, está em 71,3 metros. Como a geração depende de queda, a usina de Jirau, que está acima (montante) de Santo Antônio, diz que a mudança prejudica seu projeto.
O ESBR diz ser favorável à proposta apresentada pelo diretor da Aneel Romeu Rufino, que é o relator do caso, a qual "tem embasamento jurídico, técnico e econômico". Rufino defende que haja um tipo de partilha da receita extra que será gerada pela mudança de cota. "Acontece que o Pepitone simplesmente diz que Jirau não tem direito a nada, que é zero para Jirau e que tudo fica com Santo Antônio. Não podemos admitir isso."
André Pepitone foi procurado pelo Valor, mas não retornou ao pedido de entrevista. O consórcio Santo Antônio Energia não comenta o assunto. "Investimos R$ 600 milhões a mais por conta disso, removemos 23 milhões de metros cúbicos de material e gastamos oito meses de nosso cronograma para ter essa energia extra. Agora, outro consórcio, sem investimento adicional algum, simplesmente subindo uma cota, quer se apropriar de nossa energia? Isso é apropriação indébita", acusa Paranhos.
Na reunião realizada na Aneel, os outros dois diretores, Edvaldo Santana e Julião Coelho, foram a favor de uma alternativa conciliatória, mas não houve conclusão. Um novo encontro está marcado para amanhã. "É uma situação difícil, mas brigaremos até o fim, nem que tenhamos que ir à Justiça por conta disso", disse o executivo.
Do lado de Jirau está um consórcio liderado pela multinacional francesa GDF Suez (40%), seguida pela Chesf (20%), Eletrosul (20%) e Mitsui (20%). A hidrelétrica de Santo Antônio tem seu consórcio puxado por Furnas, além do Fundo Amazônia Energia, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Cemig.

Valor Econômico, 23/05/2013, Empresas, p. B11

http://www.valor.com.br/empresas/3135420/jirau-acusa-diretor-da-aneel-d…

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