O Globo, Rio, p. 42
01 de Out de 2006
Jardim Botânico ganhará uma nova atração
O Caminho da Mata Atlântica, fechado por 30 anos, está sendo recuperado e será inaugurado até dezembro
Laura Antunes
Símbolos do Jardim Botânico, a Alameda das Palmeiras, o Chafariz das Musas e o Museu da Casa dos Pilões vão dividir esse posto, em breve, com uma nova atração, com fôlego suficiente para se tornar um dos carros-chefes do parque.
Fechada ao público por cerca de três décadas, uma área do JB, situada junto à encosta, passa por obras de recuperação e deve ser reinaugurada em dezembro. O Caminho da Mata Atlântica, como o espaço é conhecido, tem 600 metros de extensão e revelará aos freqüentadores do parque um recanto pouco conhecido, de vegetação nativa.
O caminho, que percorre um trecho da Mata Atlântica, liga a Cachoeira Velha ao Aqueduto da Levada, construído em 1853. Esse trecho do Jardim Botânico estava desativado desde 1974, por ordem do general Ernesto Geisel. Três meses antes de assumir a presidência, ele morou num imóvel do parque (hoje a sede administrativa) para preparar seu plano de governo.
- O fechamento desse caminho pela Mata Atlântica ocorreu, na época, por questões de segurança - conta o presidente do JB, Liszt Vieira, entusiasmado com o projeto de recuperação do caminho, que tem a parceria da CEG.
Em breve, outra novidade: o Jardim dos Beija-Flores
Esse trecho junto à encosta foi reaberto precariamente ao público no ano passado. Mas, agora, o Caminho da Mata Atlântica vai ter o chão de terra nivelado, ganhará sinalização e uma cerca de bambu, entre outras melhorias. As obras já começaram e devem estar prontas dentro de três meses.
O projeto de restauração do novo caminho inclui a criação do Jardim dos Beija-Flores, um trecho do arboreto. A idéia, de acordo com Celso Bredariol, diretor da prefeitura para o Jardim Botânico, é plantar nessa área vegetação que atraia os beija-flores.
- Foram selecionadas 54 espécies, com diferentes períodos de floração. Com isso, os freqüentadores do Jardim Botânico poderão ver um jardim com flores durante todo o ano - explica Celso, acrescentando que o jardim ficará localizado num dos acessos ao Caminho da Mata Atlântica.
Aqueduto da Levada também foi recuperado
Novo caminho termina com visão privilegiada do Cristo Redentor
As obras no Caminho da Mata Atlântica incluíram a restauração do Aqueduto da Levada, uma construção erguida no século XIX e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que acompanhou os trabalhos de recuperação. O freqüentador que fizer o novo caminho pela encosta do Jardim Botânico terminará o passeio no aqueduto e de frente para outra paisagem de cartão postal: uma vista privilegiada do Cristo Redentor.
- Vir ao Jardim Botânico traz paz de espírito. Ainda não conheço o Caminho da Mata Atlântica, porque geralmente ando por perto da alameda principal. Mas, agora que descobri que ele existe, quero conhecer esse trecho antes mesmo da inauguração - diz a moradora do bairro Lúcia Pereira, que na última quarta-feira caminhava pelo parque.
Em 2008, Jardim Botânico completará 200 anos
A dois anos de se tornar bicentenário, o Jardim Botânico foi tombado pelo Iphan, em 1938, por seu significado cultural, científico e paisagístico.
O parque foi considerado pela Unesco, em 1991, reserva da biosfera da Mata Atlântica.
A data importante já está trazendo mais conforto para os freqüentadores do Jardim Botânico, que vem passando por projetos de modernização - como a adoção das bilheterias eletrônicas e a chegada de carrinhos elétricos para transportar visitantes.
Os freqüentadores também receberam de volta, recuperadas, algumas das principais atrações do Jardim Botânico, como o Chafariz das Musas, o Museu da Casa dos Pilões e o muro da antiga Real Fábrica de Pólvora, construída em 1808 por Dom João VI.
Segundo a direção do Jardim Botânico, as áreas temáticas - os jardins Medicinal e Sensorial, Japonês e o Roseiral - também passaram por obras de recuperação.
Fechado há dez anos, o cactário também foi reaberto à visitação pública, com três novos jardins, onde estão expostos cactos de diferentes pontos do Brasil e de outros países. O playground do parque foi recuperado.
O Globo, 01/10/2006, Rio, p. 42
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