GM, Saneamento e Meio Ambiente, p. A14
19 de Fev de 2004
Itália pode comprar créditos de carbono de 11 empresas
Cristina Rios
Curitiba, 19 de Fevereiro de 2004 - Projeto prevê a aquisição de 18 milhões de toneladas em oito anos. O governo da Itália anunciou ontem que negocia acordos para a compra de créditos de carbono com onze empresas brasileiras (oito de São Paulo, uma da Bahia e duas do Mato Grosso). O projeto vai possibilitar a compra de até 18 milhões de toneladas de carbono até 2012, envolvendo uma receita total de US$ 60 milhões.
Os projetos envolvem sete usinas de cana-de-açúcar de São Paulo (Central Álcool Lucélia Ltda, Usina Colombo S.A., Usina Nova América S.A., Usina Cerradinho Açúcar e Álcool S.A., Usina Santa Cândida, Equipav S.A. Açúcar e Álcool e Usina Corona), uma de Mato Grosso (Usina Barrálcool S.A.), duas empresas de tratamento de resíduos (Estre Empresa de Tratamento de Resíduos (SP), Vega Bahia Tratamento de Resíduos S.A. (BA) e ainda a Floresteca, reflorestadora de Mato Grosso.
Segundo Corrado Clini, diretor geral do Ministério do Meio Ambiente e Território da Itália, o governo italiano dispõe de um fundo de US$ 15 milhões para investir em projetos ligados à compra de créditos de carbono em 2004. Durante o encontro Brasil-Itália de Meio Ambiente e Mercado de Carbono, promovido pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em Curitiba, Clini disse que a intenção é buscar também captações via Banco Mundial (Bird) para financiar as ações nesse segmento. O foco de investimentos está em projetos na América Latina, China, Oriente Médio e nos países da região dos Bálcãs.
Os contratos com as empresas brasileiras poderão contemplar, já neste ano, receita de US$ 6 milhões. "As empresas estão preparadas para fornecer, até o final do ano, 1,2 milhão de toneladas de carbono, a um custo de cerca de US$ 5 por tonelada", diz Julio Zogbi, analista da Econergy, consultoria ambiental que representa as empresas brasileiras.
Com propostas de geração de energia alternativa através de biomassa (bagaço de cana) e de biogás (obtido pela decomposição de material orgânico de aterro sanitário), os contratos devem estar assinados até agosto, segundo Bruno Fiorentino, da Ecobusiness, empresa que assessora as negociações.
Estima-se que a Itália pretenda comprar 36 milhões de toneladas de carbono até 2012. Apesar de recente, o mercado de compensação - que permite àquele que evita a poluição acumular créditos e vender para aquele que gera emissões - está em franco crescimento e vem abrindo oportunidades de negócios em países em desenvolvimento.
O mercado mundial de carbono, segundo Zogbi, pode chegar a US$ 10 bilhões em 2007, ano que antecede a entrada em vigor do Protocolo de Quioto, que prevê, em sua fase inicial, uma redução de 5,2% nas emissões de poluentes na atmosfera. A Europa, que terá que reduzir em 8% suas emissões pelo acordo de Quioto, deve gerar boa parte dos negócios nesse setor, antes mesmo de o protocolo entrar em vigor. "A União Européia já aprovou metas de redução de emissões que começam já em 2005. Alguns setores, como de energia, cimento, metalurgia, papel e celulose, terão que reduzir em 5% seus níveis de emissões já a partir do próximo ano", afirma Zogbi. Brasil, China, Índia e África devem ser os mais beneficiados com a necessidade dos países desenvolvidos reduzirem níveis de emissões. "Pelo menos 25% do mercado mundial de carbono vai estar em países em desenvolvimento. Somente o Brasil poderá responder por US$ 625 milhões", diz.
A Econergy, que tem sede no Colorado (EUA), intermediou até agora 10 projetos de venda de créditos de carbono de empresas da América Latina para países como Holanda e Suécia, bancos e companhias de petróleo. Ao todo, são 4,8 milhões de toneladas de carbono, o que equivale a uma receita US$ 22 milhões. Além de investir na compra de créditos de carbono com recursos próprios, o governo italiano quer estabelecer convênios para a transferência de tecnologia na área de mecanismos de desenvolvimento limpo. Entre os projetos, estão a recuperação de matas ciliares no Paraná e a instalação de uma fábrica de painéis solares, de tecnologia italiana, em Pernambuco.
kicker: Contratos com as fornecedoras brasileiras renderiam, neste ano, receita de US$ 6 milhões
GM, 19/02/2004, Saneamento e Meio Ambiente, p.A14
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