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Investimentos foram a grande lacuna no discurso oficial

OESP, Economia, p. B3
Autor: BEAUCLAIR, Edgar G. F. de
24 de Abr de 2013

Investimentos foram a grande lacuna no discurso oficial

Edgar G. F. de Beauclair

O governo federal lançou ontem um ; pacote de medidas emergenciais para o setor de combustíveis para. motores do ciclo Otto, ou seja, gasolina e etanol. Anunciou medidas já divulgadas, como o aumento do porcentual do etanol de 20% para 25% na gasolina, em razão da recuperação de parte do canavial, e uma renúncia fiscal do PIS/Cofins.
Essas medidas pontuais em si ajudam também a Petrobrás, mas não resolvem o problema dos combustíveis renováveis. Por outro lado, mostram disposição e comprometimento do governo com um setor vital da economia brasileira, com algumas boas surpresas.
A primeira, foi o ministro Guido Mantega ter iniciado seu discurso enaltecendo a vantagem ambiental do etanol em relação à gasolina, fato quase sempre relegado a um plano secundário no discurso oficial. A segunda, foi o anúncio de que esse diálogo está apenas começando.
Isso é extremamente importante, já que são fundamentais medidas e políticas públicas de médio e longo prazos, pois a matéria-prima cana-de-açúcar tem um ciclo natural de 5 anos, imobilizando terra e capital nesse período, o que exige maiores garantias para investidores em qualquer plano de negócios desse porte.
Foram anunciadas ainda duas linhas de financiamento pelo BNDES, o Prórenova (que já existia) para incentivar renovações e expansões da lavoura canavieira, com uma carência de seis anos, bastante adequada às características da"cultura, e uma linha de crédito específica para estocagem, que deve auxiliar o equilíbrio do mercado na entressafra.
Deve-se aguardar para saber se o grande gargalo para os tomadores de crédito continuará a ser o "cadastro leonino" exigido, restringindo o acesso de crédito apenas a grupos sólidos e capitalizados.
Assim, apesar do que se pode chamar de "bom começo" e na direção certa, ainda faltam esclarecimentos sobre as metas e meios que o governo tem ou pretende ter para a matriz energética do País nas próximas décadas, especialmente em relação às fontes renováveis, sempre ameaçadas pelas "promessas do pré-sal".
As usinas ainda apresentam grande capacidade ociosa por falta de cana, o que só deve ser sanado a partir de 2014. Uma das causas é a ausência de investimento para produção da matéria-prima, que recebe agora um instrumento.
Porém, a grande lacuna do pronunciamento foram os investimentos, não só na infraestrutura como em ciência, tecnologia e inovação, para que a produção de cana-de-açúcar e etanol no Brasil volte a ser a maior e melhor do mundo.
Finalmente, o aumento do porcentual de etanol na gasolina não deve se refletir de imediato numa redução de preços aos consumidores, pois as medidas têm o claro objetivo de aumentar a capacidade de investimento e melhoria na produção de cana e etanol.
Portanto, esse equilíbrio esperado deverá respeitar o tempo que a natureza leva para completar seus ciclos de crescimento e produção agrícola, mas existe luz no fim do túnel.

É fundador e coordenador do Grupo de Extensão GECA (Grupo de estudos em cana-de-açúcar) na ESALQ

OESP, 24/04/2013, Economia, p. B3

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