VOLTAR

Investimento social produtivo

GM, Opinião, p. A3
Autor: D'AUDENHOVE, Philippe
21 de Dez de 2004

Investimento social produtivo

Resultados visíveis aumentam a credibilidade dos projetos do Terceiro Setor.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acaba de divulgar resultado parcial da segunda edição da Pesquisa Ação Social das Empresas: no Sudeste, 71% realizam projetos. No Nordeste, 74%. Outro estudo do instituto, também anunciado em dezembro e realizado em parceria com IBGE, Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) e Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), demonstra que, no Brasil, entre 1996 e 2002, o número de fundações privadas e de associações sem fins lucrativos teve um aumento de 105 mil para 276 mil e o de trabalhadores que empregam, de um milhão para 1,5 milhão. Os números atestam a dupla e crucial importância desse segmento no universo socioeconômico: o trabalho voltado à melhoria da qualidade de vida e à inclusão social, assumindo parte das demandas públicas que o Estado já não é capaz de atender; e a criação de empregos e renda. O desafio permanente do Terceiro Setor, para que a intervenção do setor privado possa realmente produzir transformação significativa no País, é ampliar cada vez mais o engajamento de empresas e voluntários. Nesse sentido, o marketing social é poderosa ferramenta, contribuindo para multiplicar ações, conquistar adesões, apoios, realizar campanhas e possibilitar manutenção e crescimento do trabalho realizado. Consideradas essas premissas, uma das principais características do marketing social deve ser a transparência e objetividade na divulgação à opinião pública, em linguagem clara e acessível, dos resultados de cada projeto ou programa. Estes, por sua vez, também devem ser bem definidos, palpáveis e mensuráveis. Exemplo disto é o Teleton, maratona televisiva anual, cuja receita, no Brasil, destina-se à Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que detém os direitos da marca no País. De 1998 a 2004, foram sete programas, totalizando uma receita acima dos R$ 90 milhões. Com esses recursos, realizaram-se os seguintes empreendimentos: construção e equipamento dos centros de reabilitação da AACD de Recife e da Mooca, em São Paulo; do centro do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre; do centro de Minas Gerais, em Uberlândia, e do Bloco E - Ambulatórios na sede da entidade em São Paulo. Também foram construídos o centro de reabilitação de Osasco (SP) e do Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu. O dinheiro também foi aplicado na ampliação do atendimento, manutenção e melhoria de unidades já existentes. Hoje, a entidade realiza mais de cinco mil atendimentos por dia, 96% dos quais gratuitos. Além da devida clareza, o marketing social não pode ser encarado como a finalidade precípua do voluntariado, responsabilidade empresarial ou atuação das organizações não-governamentais. Trata-se, em termos efetivos, de um instrumento destinado a contribuir para o sucesso das iniciativas de caráter público do setor privado, direcionadas ao bem comum. Uma frase sintetiza muito bem a questão: as organizações de caráter particular não devem realizar ações sociais para aparecer, mas podem aparecer por realizar ações sociais.
kicker: O desafio é ampliar cada vez mais o engajamento de empresas e voluntários

Philippe DAudenhove - Gerente de Marketing da AACD e coordenador executivo do Teleton.

GM, 21/12/2004, Opinião, p. A3

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.