CB, Mundo, p. 24
05 de Dez de 2007
Inundações ameaçam 150 milhões
Da redação
Em pouco mais de 60 anos, cerca de 150 milhões de pessoas que vivem nas maiores cidades litorâneas do mundo, incluindo o Rio de Janeiro, vão sofrer com inundações. Essa é a previsão de um relatório divulgado ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que constatou que até 2070 o número de ocorrências anuais por inundações tende a ser maior que o triplo atual devido aos sintomas, cada vez mais evidentes, do efeito estufa e das mudanças climáticas.
Segundo o estudo, baseado em estimativas feitas por cientistas com a ajuda da empresa de consultoria Risk Management Solutions, as mudanças climáticas, aliadas a fenômenos como o acelerado desenvolvimento urbano e o crescimento populacional, podem provocar perdas de até US$ 35 trilhões, o equivalente a 9% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Miami, nos Estados Unidos, amarga a primeira posição no ranking das cidades que devem ter maior prejuízo material nos próximos anos. Cantão, no sul da China, vem atrás, seguida por Nova York (EUA), Kolkata (antiga Calcutá, na Índia), Xangai (China) e Mumbai (Índia). O relatório faz parte da primeira etapa do maior estudo já elaborado sobre a vulnerabilidade das cidades litorâneas a inundações. "O relatório desperta considerações políticas cruciais e destaca a urgência da mitigação das mudanças climáticas e a adaptação em nível municipal", alertou Jan Corfee-Morlot, consultor da OCDE para questões climáticas.
O especialista Luiz Pinguelli Rosa, diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), considera o relatório importante, mas pede cautela em sua interpretação. "As pessoas tendem a acreditar que têm que sair correndo do Leblon (bairro do Rio) porque o relatório previu que a cidade vai inundar. Não é bem assim. Também não é motivo para alarmismo público", argumentou. "O relatório não tem muita base científica, é feito por consultores que fazem uma previsão. É um pouco superficial."
No entanto, Rosa, que embarca amanhã para Bali, na Indonésia - onde governos do mundo todo estão reunidos em uma conferência que pretende traçar planos para o período pós-Kyoto -, concorda que não se pode ignorar o problema. "É óbvio que há uma preocupação. Os governos têm obrigação de fazer algo. O problema de fato existe." Segundo o professor, o último relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) já previa um aumento do nível do mar de cerca de 60cm até o fim do século. "Esse volume é totalmente administrável. O problema maior está nas áreas mais baixas, como é o caso da Baixada Fluminense. Ali já está sendo observada uma ocorrência maior de inundações."
CB, 05/12/2007, Mundo, p. 24
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