OESP, Vida, p. A19
09 de Nov de 2006
Internet terá dados de crustáceos da Amazônia
Projeto inédito interligará coleções científicas sobre espécimes presentes nos rios da região, inclusive de instituições internacionais
Liège Albuquerque
O primeiro banco de dados online interligando as maiores coleções científicas sobre crustáceos da Amazônia estará até o fim do próximo ano disponível na internet, incluindo dados de instituições internacionais que tenham em seus museus ou universidades exemplares de crustáceos de água doce dos rios da região.
O projeto, orçado em R$ 47,5 mil, foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento e Pesquisa (CNPq), no Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia (PPBio). É uma iniciativa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá, Museu Paraense Emílio Goeldi, Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
"O arquivo será integrado com instituições estrangeiras como o Museu Smithsonian, em Washington, e o Jardim Botânico de Nova York, onde certamente a coleção de crustáceos amazônicos é maior do que a do Inpa e do Goeldi juntas", diz o coordenador do PPBio Amazônia Ocidental, Célio Magalhães, doutor em Ciências Biológicas pela USP e pesquisador do Inpa. O PPBio Amazônia começou em 2004 como iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia para disseminar o conhecimento da biodiversidade da região e desenvolver bioprodutos e bioprocessos.
O projeto, segundo Magalhães, servirá de experiência piloto de repatriação de informações sobre a biodiversidade da Amazônia. Repatriação é a possibilidade de a comunidade científica de uma região ter acesso a dados sobre espécimes locais, mantidos em instituições de outros países.
No início de 2008, será a vez da catalogação das espécies botânicas da região amazônica, um trabalho considerado pelo pesquisador ainda mais vasto e complexo.
Para Magalhães, a iniciativa inédita vai não só reunir dados para pesquisa, mas quebrar o tabu de que o conhecimento científico deve ficar restrito aos cientistas. "A internet está trazendo essa interação com os interessados por todas as áreas do conhecimento, cientistas ou leigos."
Magalhães destaca que há cerca de 5 mil tipos de crustáceos amazônicos catalogados nos museus brasileiros a serem abrangidos pela rede eletrônica, de microscópicos plânctons a camarões. Mas não há uma estimativa de quantos tipos e espécies existem na região. "São milhares. É uma região gigantesca no potencial da biodiversidade."
O catálogo, de início, não terá fotos. "Iria encarecer muito o projeto, mas é certo que no futuro estarão disponíveis", afirma. Na primeira etapa do projeto, já iniciada, está sendo feita a digitação dos dados dos livros de tombo e etiquetas (onde ficam armazenadas as informações). As instituições envolvidas estão usando um padrão comum, o modelo de "Darwin Core", que estabelece quais são os campos mínimos de um banco de dados de uma coleção. As informações que serão informatizadas são de ordem taxonômica, pela classificação geográfica do exemplar: por país, região, Estado e até mesmo por rio.
Depois que os bancos de dados de cada instituição estiverem 100% informatizados, os pesquisadores definirão a ferramenta a ser adotada para colocar a informação na internet. Deve ser empregado o SP-Link, produzido por uma organização não-governamental científica, o Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA), de Campinas. Após essa fase, chega-se ao último passo: a ligação entre os bancos de dados das instituições.
OESP, 09/11/2006, Vida, p. A19
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