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Inpe vai monitorar florestas tropicais em todo o mundo

OESP, Vida, p. A15
10 de Jan de 2008

Inpe vai monitorar florestas tropicais em todo o mundo
Com novo centro de controle, em Belém, instituto quer compartilhar com outros países dados e metodologia

Cristina Amorim

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) promete começar a operar neste ano, em Belém, um centro de monitoramento global de florestas tropicais. A intenção é oferecer a experiência brasileira, adquirida em 20 anos de monitoramento da Amazônia por satélite, para todos os países interessados em acompanhar o desmatamento e a degradação das matas.

A idéia do diretor do instituto, Gilberto Câmara, é transformar o Brasil em uma referência mundial não apenas em monitoramento da vegetação mas também em treinamento. Uma antena de captação dos dados dos satélites CBERS já existe na África do Sul. "Queremos começar a operar o Prodes África até o fim do ano", diz Câmara.

Em médio prazo, é prevista a instalação de mais seis antenas em pontos diferentes da Terra. Idealmente, o projeto funcionaria com dois satélites, de 20 metros de resolução, que passem pelos pontos de observação a cada dois dias e meio.

O Brasil e a China, parceiros no programa CBERS, decidiram não tratar do projeto como fonte de renda, mas como parte de uma estratégia política. "Temos a possibilidade de tomar a posição certa, dentro do que o (jurista) Rubens Ricupero chama de projeto de potência ambiental", diz o diretor do Inpe. "Nessa área ficamos ombro a ombro com países ricos."

De forma geral, o desmatamento e a queimada de florestas tropicais em todo o mundo respondem por até 20% das emissões globais de gases-estufa. A questão será incluída no próximo regime político para tratar do aquecimento global,que substituirá o Protocolo de Kyoto em 2013. Há discussões avançadas sobre atrelar essas alterações - e especialmente a manutenção da floresta em pé - em algum tipo de mecanismo de mercado ou financiamento.

Contudo, a importância do tema esbarra na falta de informações confiáveis. Nenhum outro país tropical tem base histórica de monitoramento de suas florestas. O único documento global disponível, publicado periodicamente pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), é oficialmente falho. De quebra, disponibilizar gratuitamente imagens e metodologia expõe países desenvolvidos (e respectivas empresas) que cobram por cada imagem de satélite. "Isso tem um efeito político poderoso e inverte o jogo", afirma o pesquisador Daniel Nepstad, do Centro Woods Hole de Pesquisa, dos EUA. "Agora chegou um momento histórico de o Brasil ser reconhecido como líder de monitoramento e capacitação."

O sinal verde foi dado pelo governo federal no fim do ano passado, mas na prática o centro ainda não tem data para começar a operar - será ao longo de 2008. Isso porque o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) pode alterar orçamento e cronogramas, afirma Luiz Fernando Schettino, subsecretário de Coordenação das Unidades de Pesquisa do Ministério de Ciência e Tecnologia.

O terreno foi cedido pelo governo do Pará, mas a construção do prédio depende de emenda parlamentar da bancada paraense, no valor de R$ 10 milhões. "Se houver alteração, o ministério fará uma adequação, tanto para a construção do prédio quanto para a contratação de pessoal."

OESP, 10/01/2008, Vida, p. A15

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