VOLTAR

Inpe refaz contas e contesta governador

O Globo, O País, p. 4
20 de Mai de 2008

Inpe refaz contas e contesta governador
'Há sim um crescimento de desmatamento', diz diretor do Instituto

Provocado pelas críticas do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) refez as contas que revelaram o aumento da devastação na Amazônia. A nova análise confirmou todos os dados, afirmou ontem o diretor do Inpe, Gilberto Câmara. Em oito meses (de agosto de 2007 a março deste ano) foram desmatados 4.730 km2 de áreas de floresta - o equivalente a quatro vezes o município do Rio - contra 4.970 km2 em 12 meses (de agosto de 2006 a julho de 2007).
Na conta estão incluídas apenas as grandes áreas de desmatamento, pois o levantamento é preliminar, feito pelos satélites sistema Deter.
- Já refizemos todas as análises e temos convicção de que os dados estão cientificamente corretos. Entendemos que haja um descontentamento político, mas não cabe ao Inpe atender a nenhum interesse além do científico. Assim, podemos dizer que, se o governo federal quer conter o desmatamento, agiu corretamente em suas medidas - disse Gilberto Câmara.
Os dados do Inpe provocaram as medidas do governo federal antidesmatamento, como a Operação Arco de Fogo, que reúne Polícia Federal e Ibama, e a resolução do Conselho Monetário Nacional que, a partir de 12 de julho, obriga o sistema financeiro a exigir a regularidade ambiental como condição para o crédito rural.
Anualmente, o levantamento sobre desmatamento é esmiuçado para áreas menores, pelo sistema Prodes. Por esse sistema, foram desmatados 11.200 km-' no último levantamento, entre agosto de 2006 e julho de 2007. Segundo Câmara, dados preliminares do Deter revelam que, depois de três anos consecutivos de queda no desmatamento. em 2008 a devastação tem crescido, e no período entre agosto de 2007 e julho de 2008 deverá ser maior que esses 11.200 km1.
0 sistema Deter usa imagens de satélites de resolução espacial moderada, mas produzindo relatórios quase em tempo real. Mas mede apenas áreas maiores que 25 hectares, seja de cortes rasos na floresta ou degradação progressiva. Já o Prodes tem alta resolução espacial, captando a partir de 6,25 hectares os cortes rasos na floresta, mas com baixa resolução temporal. Por isso, o Prodes é feito anualmente, enquanto o Deter serve para alertar e dirigir a fiscalização, quase em tempo real.
Na contagem final, a diferença é que o Deter capta menos que a metade do que já foi desmatado. Como o Deter já captou 4.730 km1 de desmatamento entre agosto de 2007 e março deste ano, o Inpe consegue estimar o aumento real do desmatamento, que só será totalmente contabilizado ao fim de um ano.
- Há sim um crescimento do desmatamento, uma tendência de aumento. Será muito difícil que o Prodes mostre algo em torno de 11.200 kM2, como foi em 2007- disse Câmara.
0 governo de Mato Grosso enviou relatório ao Inpe, dia 25 de março. contestando as análises. 0 relatório aponta 662 pontos, em 51 municípios, com 854 fotos de campo, sobrepostas a imagens dos satélites. Para o governo, "89,98% dos dados do Inpe" estariam errados. 0 Inpe analisou o relatório e concluiu que apenas 3,4% do confirmado pelos satélites não eram desmatamento, dentro da margem de erro das análises, de 4%.
- Mesmo assim vamos continuar contestando os dados do sistema Deter. Somente o sistema Prodes pode dizer se houve aumento do desmatamento. Vamos pedir nova avaliação -disse o secretário-adjunto de Meio Ambiente de Mato Grosso, Salatiel Alves de Araújo.

O Globo, 20/05/2008, O País, p. 4

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.