A crítica - http://acritica.uol.com.br
30 de Mar de 2011
Estudo divulgado nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) aponta que a cheia do rio Negro, em Manaus, será "normal". A cota não deve ultrapassar 28,25cm. As informações foram repassadas pela assessoria de comunicação do Inpa.
O estudo feito por Jochen Schöngart, do do Instituto Nacional Max Planck de Química, da Alemanha, que tem parceria com o Inpa. Ele foi baseado em modelos analisados em fevereiro.
Em entrevista ao acritica.com por email, da Alemanha, Jochen Schöngart, disse que a previsão para este ano é 27,51m a 28,25 - média de 27,88m.
"Será uma cheia normal, somente oito centímetros mais alta que a média história das cheias no período de 1903 a 2010", disse.
Ele destacou, porém, que a enchente do rio Negro em Manaus partiu de um nível mínimo muito baixo (13,63m).
Isso indica, segundo o pesquisador, que caiu muita chuva nas cabeceiras do rio Solimões e Negro devido às condições do fenômeno La Niña que ocorre no Pacífico Equatorial Central e Oriental nos últimos meses e agora perdendo forças.
"Este ano o rio já encheu mais de 11 metros e ainda vai continuar enchendo até a quinzena de junho. Com isso provavelmente alcanca uma amplitude acima de 14 metros", explicou.
Os dados foram baseados em um modelo que prevê cheia para a região de Manaus e arredores de até 100 km de raio.
Se a previsão se confirmar, a amplitude do Rio Negro poderá alcançar um valor entre 13,88 e 14,62m. Isso seria uma das maiores amplitudes já observadas desde que iniciou o monitoramento dos níveis de água.
Schöngart elabora alertas de cheia, regularmente, nesta época, um pouco antes do alerta realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CRPM). Este, contudo, emite outros três alertas de cheia nos meses seguintes, com base em dados atualizados.
Ele explicou que seu modelo de estudo utiliza além do nível médio da água em fevereiro, as condições do Pacífico Equatorial, já que o La Niña e o El Niño resultam em cheias mais severas e fracas, respectivamente.
Previsão
A maior cheia (29,77 m) e vazante (19,63 m) foram registradas nos anos de 2009 e 2010, respectivamente. Desde 1902 são registrados os níveis de água no Porto de Manaus.
"Analisando a série temporal do porto de Manaus observa-se que nos últimos 25 anos as cheias indicam uma leve tendência de aumento e as secas tendem ser mais e mais severas. Com isso as amplitudes, as diferenças calculadas entre cheia e seca, aumentam. Existe uma grande preocupação ao respeito de futuras cheias e a secas no contexto das mudanças climáticas, devido ao aquecimento previsto das águas superficiais dos oceanos Pacifico Equatorial e Atlântico Tropical, que tem um impacto significativo no regime pluviométrico na Amazônia. Porém, entre as bacias de rios na Amazônia existem grandes diferenças como anomalias de temperatura superficiais dos oceanos tropicais afetam cheias e secas", explica Schöngart.
O pesquisador ressalta que essas mudanças que interferem, principalmente, no modo de vida das comunidades residentes nos locais sofridos por esses fenômenos.
"O pulso de inundação controla os ritmos de crescimento, ciclos de vida de espécies de fauna e flora nas áreas alagáveis e as atividades econômicas das populações ribeirinhas como pesca, agricultura e extração de madeira", analisou.
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