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Iniciativa privada deve discutir acordo climático, diz especialista

OESP, Vida, p. A24
07 de Set de 2011

Iniciativa privada deve discutir acordo climático, diz especialista
José Maria Figueres Oslen, ex-presidente da Costa Rica, cita Brasil, com etanol e carros flex, como exemplo positivo

Afra Balazina

Para o ex-presidente da Costa Rica José Maria Figueres Olsen, já é muito difícil fazer um país andar, quanto mais fazer com que 193 países entrem em acordo. O pessimismo de Olsen se refere à próxima Conferência do Clima da ONU, a COP-17, que será realizada no fim do ano em Durban, na África do Sul.
Em sua opinião, os Estados Unidos novamente não terão como se comprometer, pois o país estará preocupado em superar a crise financeira e com as eleições presidenciais de 2012.
Apesar de ser quase impossível chegar a um consenso e fechar um acordo climático, para ele o tema é demasiado importante para ficar apenas nas mãos dos governos. "A iniciativa privada deve participar. E o Brasil é um bom exemplo com seu etanol e carros com motor flex."
Olsen veio ao Brasil para participar do fórum sobre desenvolvimento agropecuário e clima, o Feed 2011, promovido pela Confederação da Agricultura e da Agropecuária do Brasil (CNA). A Costa Rica é hoje um modelo de preservação e de sustentabilidade. O país possui desde 1995 um imposto sobre emissões de carbono que se paga ao comprar combustível num posto. Os recursos vão para um fundo que financia, por exemplo, o plantio de árvores por agricultores.
Nova revolução. O mundo deverá passar por uma nova revolução para não esgotar os recursos do planeta. "A China já é o primeiro mercado de venda de veículos do mundo, porém, lá ainda são 140 veículos por mil habitantes no país. Nos Estados Unidos são 920 veículos por mil habitantes e, na Europa, 620. E ainda tem a Índia crescendo. Se seguirmos pelo mesmo caminho vamos criar um planeta em que será muito difícil viver", afirma.
Para avançar, diz ele, é preciso ter o envolvimento do setor privado e acabar com más políticas, como subsidiar o uso de combustíveis derivados do petróleo.
Kyoto. Para Ciro Marques Russo, representante do Ministério das Relações Exteriores no Feed 2011, a questão principal a ser debatida em Durban "é o que vai acontecer com o segundo período do Protocolo de Kyoto". O primeiro período expira em 2012.
"Se não tivermos um acordo, já prevemos uma lacuna em relação às metas (de cortes das emissões de gases-estufa) dos países desenvolvidos."
A discussão será complicada, já que países como Canadá, Rússia e Japão já disseram que são contra a continuidade de Kyoto. Para Russo, sem o protocolo, as metas dos países ricos serão menos ambiciosas.

Em família
O ex-presidente da Costa Rica é irmão de Christiana Figueres, a atual chefe de clima da ONU, que faz a mediação das reuniões sobre mudanças climáticas

OESP, 07/09/2011, Vida, p. A24

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