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Índios Umutinas lutam pela preservação da cultura

24 Horas News-Cuiabá-MT
19 de Mar de 2004

Do artesanato à dança, da prática do arco e flecha à educação indígena nas aldeias, os umutinas lutam para preservar sua cultura e resgatar valores. E não é para menos: eles possuem uma das mais tristes histórias de contato com índios no Brasil de que se tem notícia. Sua população foi quase dizimada pela guerra de extermínio do início do século 17 até que foram pacificados pelo marechal Candido Mariano da Silva Rondon, em 1913.

"Uma das coisas que a gente tem revitalizado é a questão cultural das crianças, jovens e adultos", afirmou, a professora Maria Alice Souza Kupudunepá, autora do livro "Arte Indígena Umutina", lançado em 2002 pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

A publicação traz informações sobre recursos naturais utilizados pelos índios na fabricação de artesanato, indumentária e armas usadas na aldeia. O livro retrata a cultura e os costumes do povo umutina e seu objetivo é resgatar e ensinar nas escolas indígenas as línguas maternas, a história, os modos de vida, as religiões, as crenças e as relações dos povos indígenas entre si e com as demais culturas.

O povo indígena umutina tradicionalmente habita as margens do rio Paraguai, na região acima do rio Bugres, hoje pertencente ao município de Barra do Bugres. A partir de 1991, dentro de uma política do Sistema de Proteção ao Índio (SPI), os umutinas foram obrigados a receber em seu território membros de outras comunidades indígenas, tais como paresi, nambikwara, kaiaby, terena, irantxe, bororo e bakairi.

A Terra Indígena Umutina foi regularizada através do decreto número 98.144/89 , com um área de 28.120 hectares. Com uma população de 367 habitantes, a aldeia está situada numa área de transição de mata, cerrado e pastagem nativa. Até a década de 70, os índios tinham sua economia baseada no extrativismo da poaia (erva-mate), seringa e criação de gado. Com a colapso do comércio da poaia e a implantação do Programa Pro-Álcool na região, grande parte da mão-de-obra indígena pelas usinas.

"Hoje, os umutinas e os índios da demais etnias vivem em conjunto de forma harmoniosa e respeitando o meio ambiente", avaliou Seixas da Silva e Arnaldo Borges Filho, responsável pelos projetos especiais da Superintendência de Política Indigenista, órgão ligado à Casa Civil, durante visita à aldeia nesta sexta-feira.

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