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Índios têm dificuldade em se adaptar

Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: ALECY ALVES
19 de Abr de 2005

Deixar a aldeia para estudar na cidade grande requer muita coragem e força de vontade

Ivan Tserenhoa Pronhopa, de 26 anos, que este ano voltou a freqüentar o curso de Ciências Biológicas depois de abandoná-lo duas vezes

Se já é difícil para os estudantes que sempre viveram na cidade e tiveram acesso fácil ao ensino regular, para os jovens índios chegar à universidade e concluir um curso superior demanda muito mais persistência.

As diferenças são tantas - hábitos, cultura e língua - que muitos abandonam a faculdade e retornam às aldeias. "É como se a gente tivesse sozinho no meio da multidão", define o xavante Ivan Tserenhoa Pronhopa, de 26 anos, que este ano voltou a freqüentar o curso de Ciências Biológicas depois de abandoná-lo duas vezes.

Ivan, que nasceu na aldeia Sangradouro, no município de General Carneiro, está no terceiro semestre do curso e divide uma república para estudantes índios em Cuiabá. Ele mora com outros sete universitários e estudantes do ensino médio de diversas etnias.

Ontem Ivan integrava o grupo que fazia explanação sobre a cultura indígena aos estudantes das escolas de Cuiabá no Sesc-Arsenal. Com esse trabalho, que integra a programação do Dia do Índio, celebrado hoje, Ivan disse que espera contribuir para estreitar a relação do índio com o branco.

Ivan disse está decidido: dessa vez irá até o fim e assim que pegar seu diploma retornará à sua aldeia. "É lá que quero viver, construir minha família", destacou ele. A preocupação dele está em aprender algo que possa ser útil à sobrevivência da cultura dos povos indígenas. E foi por isso que escolheu Biologia.

Há pouco mais de um ano vivendo em Cuiabá, Aléssio Tseredzaty, de 21 anos, também da etnia xavante, diz que no primeiro ano pensou que não suportaria a distância da aldeia. Aluno do segundo ano do ensino médio na Escola Estadual João Briene de Camargo, Aléssio faz planos de se formar em Agronomia.

De família numerosa - nove irmãos -, ele acredita que poderá contribuir para melhorar as condições de vida para sua família e a aldeia onde nasceu.

Os planos de Aléssio, a exemplo de Ivan, é de voltar para as terras indígenas assim que terminar a faculdade e lá constituir família. "Não quero tantos filhos como meus pais. É difícil sustentar", argumenta ele.

Iniciado em 2001, a primeira turma do Ensino Superior Indígena será formada em julho de 2006, composta por 200 professores de 33 etnias, de 41 Municípios que atuam nas escolas indígenas. São 22 etnias de Mato Grosso.

Dando continuidade a esse projeto a Secretaria Estadual de Educação abriu, em 2005, mais 100 vagas para o 3o Grau Indígena. O estado mantém 21 escolas indígenas que possuem cerca de 3,5 mil alunos matriculados no Ensino Fundamental e Médio e ajuda a manter, em parceria com prefeituras, outros 6,5 mil estudantes.

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