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Índios também tentam vaga na universidade

Folha do Amapá-Macapá-AP
Autor: SANDRIELLE PALMERIM e VAL FERNANDES
21 de jan de 2002

Mesmo admitindo falta de preparo, eles entram na corrida por uma graduação universitária

Quarenta índios das etnias Karipuna, Galibi e Palikur, residentes nas aldeias Manga e Kumarumã, no município de Oiapoque, fizeram o vestibular da Universidade Federal do Amapá (Unifap), realizado no último domingo, para os cursos de Ciências Biológicas, Enfermagem, Pedagogia, Letras, Direito, História e Geografia.
Não é a primeira vez que os índios de Oiapoque decidem encarar uma maratona dessa natureza. No ano passado eles foram submetidos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, segundo a opinião da maioria, não foi uma prova fácil. A idéia de trazer os índios a Macapá partiu dos professores da Escola Joaquim Nabuco, em Oiapoque, onde os
Índios comemoraram a vitória de poder participar pela primeira vez de um concurso vestibular
estudantes concluíram o segundo grau em 2001, por meio do sistema modular, que está sendo implantado no interior do Estado pelo governo e expandido às aldeias indígenas.
Apesar de achar a idéia válida, os índios admitiram não estar preparados para disputar com os alunos da Capital. "A concorrência é grande e os estudantes de Macapá estão muito mais preparados que a gente, pois fizeram cursinho e conhecem o vestibular, muito diferente de nós, que terminamos o segundo grau através do sistema modular", diz Jacirene dos Santos, da aldeia Kumarumã.
O sistema modular, segundo os vestibulandos indígenas, por enquanto não garante uma boa preparação para um vestibular como o da Unifap. Neste sistema eles estudam duas ou três disciplinas por módulos, em 30 ou 50 dias, durante três anos, com professores que vão de Macapá a Oiapoque. E é justamente pelo fato do curso ser intensivo que os índios encontram algumas dificuldades. Mesmo assim comemoram a vitória de estarem formando a primeira turma e poderem participar de um concurso vestibular.
O sistema modular chegou às aldeias indígenas em 1998 via governo estadual. O governo patrocinou, além do transporte aos índios, as inscrições ao vestibular 2002. Mário dos Santos, administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Oiapoque, afirma que eles estão empenhados em conseguir o apoio necessário para manter o terceiro grau dos índios. Mas por enquanto aguardam posicionamento do governo, cujo orçamento para 2002 ainda não foi definido. "Durante esta semana a administração da Funai de Oiapoque irá se reunir com a deputada e secretária de Indústria e Comércio, Janete Capiberibe, para resolver a situação dos índios. Com certeza esse apoio não faltará, mas temos que esperar o resultado das provas para que seja discutido como os estudantes indígenas ficarão em Macapá".

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