JB, Saude, p.A12
16 de Nov de 2004
Índios se instruem sobre Aids
Programa levará informação sobre DSTs a aldeias
Trinta e quatro Distritos Sanitários Indígenas da área da Amazônia serão alvo do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, do Ministério e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa - órgão federal responsável pela saúde dos índios). 0 programa vai ampliar o diagnóstico e o tratamento para os pacientes com Aids e sífilis.
- Antes desse projeto, havia ações pontuais de combate à Aids e às DSTs. Constatamos a necessidade de implementação de um plano maior - avalia a assessora técnica do Programa Nacional de DST/Aids, Vera Lopes.
Entre os desafios para implantar ações de saúde em áreas indígenas, destacam-se a difícil localização de boa parte das aldeias e a necessidade de uma atenção diferenciada aos índios.
- A relação das autoridades com as tribos precisa respeitar as diferentes culturas e promover o diálogo entre o saber tradicional e os conhecimentos da Medicina ocidental - observa Vera.
Há no Brasil em torno de 411 mil índios, espalhados por 3,22 mil aldeias. Essas tribos somam 291 etnias, com 180 idiomas. Segundo a Funasa, para se integrar aos índios, é importante compreender a forma como as comunidades interpretam a saúde e a doença e como vivenciam a sexualidade. Por isso, os materiais educativos do programa são ilustrados pelos próprios índios e muitos são escritos nos seus idiomas, informando o que são Aids e DST, como essas doenças são transmitidas, qual a melhor forma de prevenção e o que é a sexualidade humana.
-Alguns já aceitam o uso do preservativo. Com os que não aceitam, é preciso pensar em formas alternativas de abordar o assunto - explica o diretor de Saúde Indígena da Funasa, Alexandre Padilha.
0 primeiro caso de Aids entre os índios foi notificado em 1987. Até 2003, chegou-se a 100 registros.
- Esse número é preocupante pela repercussão que pode ter em uma pequena aldeia - alerta Vera Lopes.
As áreas indígenas com maior risco de contaminação pelo vírus HIV são as próximas de áreas urbanas ou aquelas em que os índios viajam com freqüência para as cidades, aldeias localizadas perto de garimpos e áreas indígenas afetadas por exploração de recursos naturais.
-0 perigo aumenta pelo fato de essas populações com a quais os índios mantêm conte to também terem dificuldade acesso à informação sobre cuidados com Aids e DST acrescenta a assessora.
Além do material impresso para levar mais informação às aldeias estudantes ou índios que vão a Brasília com freqüência também vão receber orientações sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Assim, poderão passar o conhecimento para os conhecidos, acredita o governo.
Eles também ganharão preservativos e terão acesso ao Centro de Testagem e Aconselhamento, que fica na Rodoviária do Plano Piloto.
0 Projeto de Implantação do Programa de DST/Aids em áreas indígenas conta com um orçamento de R$ 16 milhões, para os próximos três anos.
JB, 16/11/2004, p. A12
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