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Índios reivindicam mais participação nas decisões sobre a Amazônia

Portal Amazônia - portalamazonia.globo.com
07 de out de 2008

Representantes indígenas estiveram reunidos no Congresso Mundial da Natureza, organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em Barcelona, na Espanha, para reivindicar mais participação nas decisões sobre a floresta. Eles querem ser ouvidos no planejamento de obras de infra-estrutura nas discussão sobre a aplicação de grandes investimentos, como o Fundo Amazônia.

- As hidrelétricas dentro das terras indígenas, por exemplo, para nós são um atropelo, um desrespeito. A gente vê alguns empreendimentos feitos dentro e fora das terras indígenas, sem que os índios sejam consultados previamente, sem perguntarem se isso vai contribuir para a qualidade de vida das populações- , reclama o Marcos Apurinã, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), e um dos representantes brasileiros no congresso.

Uma das maiores preocupações de Apurinã e de lideranças indígenas de países vizinhos, como Guiana, Colômbia e Bolívia, é a implementação de mecanismos internacionais que remuneram países por manterem florestas preservadas. O principal deles é o REDD (Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação), em que há um pagamento pela quantidade de gás carbônico que a floresta deixa de emitir por não ser desmatada.

- Vamos reivindicar que, as populações indígenas que preservam as florestas também recebam por isso. Essas compensações ambientais, compensação de carbono, eles [os habitantes das tribos] não entendem essa língua, mas entendem o quanto é importante uma floresta-, afirma o líder indígena.

Fundo Amazônia

A Coiab é uma das instituições que têm assento no conselho que define a aplicação dos recursos do Fundo Amazônia, que pretende captar contribuições voluntárias para investir na redução dos desmatamentos.

Para Apurinã, esse é um reconhecimento da importância dos povos indígenas brasileiros, mas ainda é insuficiente. "É um início, porém eu entendo que estamos sendo incluídos tarde demais. Queremos convencer o governo brasileiro de que devemos ser incluídos dentro da política de conservação das florestas", reivindica.

O Congresso Mundial da Natureza começou neste domingo (5) e segue até o dia 14 de outubro. Ele reúne cerca de 8 mil pessoas, entre governos, empresas, estudiosos e ambientalistas, e tem como objetivo encontrar soluções para o desenvolvimento sustentável.

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