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Indios reclamam terras

JB, Internacional, p.A12
06 de Jul de 2004

Índios reclamam terras
Glebas argentinas são vendidas a mãos privadas
BUENOS AIRES - Centenas de milhares de indígenas argentinos vivem em disputa permanente pela terra que ocupam, apesar de a Constituição reconhecer a propriedade comunitária dos territórios nos quais estão assentados.
São muitos os casos de família desalojadas pela Justiça argentina das terras que ocupam historicamente, já que, em alguns casos, o Estado vende o local para mãos privadas.
Cerca 500 mil índios vivem na Argentina e são originários de uma dezena de etnias que se dedicam á coleta, cultivo e produção de gado de pequeno porte.
Um dos casos de violação mais ruidosos aconteceu no dia 31 de maio, quando um tribunal de Esquel, no Sul da Argentina, determinou que as terras ocupadas por um casal mapuche eram propriedade de uma empresa do Grupo Benetton e determinou uma ''restituição definitiva'' à multinacional italiana.
- Nós indígenas não pedimos ao Estado que nos dê nada, apenas que nos devolva nosso território. Para continuarmos sendo mapuches, precisamos tem um lugar para nos desenvolver. Queremos que reconheçam nossos direitos - disse o diretor do Conselho Assessor Indígena da Argentina, Hermenegildo Liempe.
Na província de Formosa, a comunidade pilagá apresentou um recurso de amparo ante a Corte Suprema de Justiça para evitar que se construa uma represa que, segundo eles, ''inundará os campos de nove comunidades onde vivem 9 mil índios e causará a morte de hortaliças, aves e peixes''. A alegação é do advogado especialista em direito indígena Luis Zapiola.
- Realizamos os estudos ambientais que nos dão razão e conseguimos que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID, um dos investidores da obra) investigue esta situação - contou Zapiola. (EFE)

JB, 06/07/2004, p. A12

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