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Índios presos fazem greve de fome

Correio do Estado-Campo Grande-MS
Autor: Antonio Viegas
08 de Abr de 2003

São 17 indígenas que estão na Penitenciária Harry Amorim Costa e reclamam da falta de assistência jurídica e do abandono pelas autoridades

Os 17 índios que se encontram na Penitenciária de Segurança Máxima de Dourados iniciaram ontem uma greve de fome. Eles protestam contra a falta de assistência jurídica e contra o abandono por parte das autoridades, principalmente a Funai. O anúncio da greve foi encaminhado através de uma carta endereçada ao repórter Oswaldo Duarte, do jornal virtual Dourados News, assinada pela maioria dos indígenas presos. A greve começou já no período da manhã, quando o grupo recusou o café. Eles garantem que esse procedimento será por tempo indeterminado.
No documento os indígenas pedem ajuda da imprensa para tentar sensibilizar as autoridades e, ainda, que se consiga um advogado para ver a situação de cada um deles. Eles explicam que no ano passado a Funai esteve na penitenciária e prometeu apoio, mas até agora nenhuma providência foi tomada. Os indígenas citam ainda que "somos todos pobres e não temos condições de pagar um advogado particular". Eles reconhecem na carta que "erramos e temos que pagar por isso, mas temos nossos direitos".
Os índios, conforme denúncias anteriores, já vinham ameaçando a greve caso não comparecesse ninguém da Funai na penitenciária. Neste final de semana, eles decidiram cumprir o que vinham prometendo, já que não tiveram nenhuma atenção por de seus representantes legais. A maioria dos 17 indígenas cumpre pena por homicídio ou tentativa de homicídio e necessita de assistência, principalmente jurídica, para acompanhamento de seus processos.
Ontem o chefe da Funai em Dourados, Jonas Rosa, disse que não tinha nenhuma posição a respeito do fato, mas garantiu que iria procurar a direção da penitenciária para ver o que está acontecendo na realidade.
A intenção de Jonas é de falar também com os índios e, partir desse contato tentar buscar meios para resolver o problema. O caso já chegou também ao conhecimento do Ministério Público Federal que deve se pronunciar a respeito assim que tiver um relato mais detalhado da situação.

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