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Índios Poyanawa surpreendem caçadores na área da reserva e apreendem armas

Página 20 Rio Branco/AC
Autor: Flaviano Schneider
14 de fev de 2001

Os índios Poyanawa, cuja terra fica localizada no município de Mâncio Lima, apreenderam, na última quinta-feira, armas de fogo que estavam em poder de seis caçadores invasores. Eles haviam matado um veado, baleado uma anta e espantado mais duas. Na segunda-feira, os índios vieram à sede local do Ibama registrar a ocorrência.

O órgão de proteção ambiental ainda ontem iria à aldeia fazer o registro e recolhimento das armas que estavam sendo guardadas pelos Poyanawa. Os seis caçadores serão intimados a depor e responderão a inquérito, além de estarem sujeitos a multas e prisão.

Fiscalização - Os Poyanawa habitam uma terra que tem no total 21.214 hectares e moram em duas aldeias: Barão e Ipiranga. São 35 famílias no Barão e 33 no Ipiranga, num total de 423 pessoas vivendo da agricultura, artesanato, extrativismo, caça e pesca.

Há muito tempo, informa o presidente da Associação Agro Extrativista Poyanawa Barão e Ipiranga AAPBI, Joel Ferreira Lima, a terra indígena vem sofrendo invasões, especialmente porque as estradas do bairro São Francisco, de Mâncio Lima, terminam nas proximidades da terra Poyanawa - tanto é que a caça chegou a diminuir bastante.

Até um passado recente, os índios encontravam os caçadores e apenas os advertiam. Apreensão mesmo, só havia sido feita de uma tarrafa. No entanto, os tempos mudaram e os índios resolveram fiscalizar sua terra.

Fizeram três turmas de fiscalização, cada uma formada por 10 índios que se revezam na fiscalização, principalmente na parte de trás da reserva, mais isolada e preferida pelos invasores. Agora, a atitude mudou e Joel adverte: todos os invasores serão penalizados e serão apreendidas armas, caças, malhadeiras, tudo o que signifique exploração da Terra Poyanawa.

Tradição - Os Poyanawa já sofreram muita perseguição por parte dos brancos, até recentemente, de modo que quase viram o povo ficar esfacelado. Suas tradições já estavam quase esquecidas e a língua quase ninguém mais falava.

Hoje, a situação é bem diferente. Com sua terra demarcada eles se sentem no direito de protegê-la dos invasores e se organizaram de modo muito satisfatório.

Joel conta que a dança tradicional da tribo já faz parte novamente das tradições cultivadas; enquanto isto dois professores estão na capital, estudando para dar aulas na língua Poyanawa, através da Comissão Pró Índio - CPI, do Governo do Estado. Nas duas aldeias existe escola do pré escolar até a 7ª série, supletivo suplência I e II, de modo que todos os Poyanawa estão na escola.

Em 2000, informa Joel, 6 pessoas terminaram o Ensino Fundamental e ainda temos 5 professores no Pró Formação, terminando o Ensino Médio.

Projetos - Para viabilizar o desenvolvimento comunitário, os Poyanawa estão pleiteando projetos para diversas áreas. Junto ao PPTAL estão com um projeto em tramitação que deverá trazer-lhes recursos para compra de barcos, motores e outros materiais necessários à fiscalização de sua terra.

Junto ao FNO, eles estão se habilitando a um financiamento pelo programa Bem de Uso Comum, com o qual vão comprar um caminhão. Outro projeto, este, demonstrativo, a fundo perdido, procura fundos para o resgate da cultura e ainda para um projeto de suinocultura. e está em tramitação junto ao PDPI.

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